quinta-feira, 5 de abril de 2012

Brasil espera reversão de punição à Petrobras

Fonte: Valor Econômico
Autores:  Cláudia Schüffner e César Felício

A Petrobras foi informada oficialmente sobre o cancelamento da concessão para exploração do bloco Veta Escondida, ontem à tarde, e nega as afirmações de que teria deixado de investir. O Itamaraty e o Ministério de Minas e Energia foram acionados ontem e entraram em contato com o gabinete da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para tratar do assunto. A informação que chegou ao Brasil é que a decisão foi tomada à revelia da presidente, que teria manifestado irritação com o governador e estaria agora procurando revogar a medida.

A ação da Província de Neuquén, é coordenada pelo governador Jorge Sapag, que apesar de integrante da Ofephi (a entidade que reúne os governadores das Províncias produtoras de petróleo e gás), é um dos que menos pressiona a espanhola Repsol YPF por mais investimentos.

Foi em Neuquén que a espanhola encontrou a jazida Vaca Muerta, com potencial de reservas de 22 bilhões de barris de petróleo não convencional (derivado de xisto). Essa jazida é a principal aposta da Repsol YPF na Argentina.

Mas a exploração requer investimentos mínimos de US$ 25 bilhões. Ao cassar áreas não pertencentes à Repsol YPF, Sapag tira o foco de pressão da antiga estatal de petróleo argentina - privatizada em 1999 no governo de Carlos Menem - ao contrário do que fizeram os governadores de Río Negro, Chubut, Salta, Mendoza, La Pampa e Santa Cruz.


A Repsol YPF teve uma dezena de concessões canceladas sob a acusação de falta de investimentos e está sob fortes rumores de uma nacionalização patrocinada pelo governo, o que teria valido inclusive a interferência pessoal do rei Juan Carlos, da Espanha.

O movimento dos governadores das regiões produtoras é coordenado pelo ministro do Planejamento, Julio De Vido. Ele era o ministro mais próximo do antecessor e marido de Cristina, Nestor Kirchner, e responsável por todo o setor de infraestrutura do governo.

A área da Petrobras foi retomada sob a alegação de falta de produção, de investimentos e de reservas. Mas fontes ouvidas ontem pelo Valor informam que a Petrobras cumpriu o programa de investimentos na área, tendo inclusive furado um poço que deu seco. A aposta recente era na existência de reservas de óleo de xisto (shale oil), uma fonte não convencional e cuja exploração ainda traz incertezas comerciais.

Em nota divulgada ontem a Petrobras informou que investiu US$ 10 milhões no último triênio e "já está concentrando esforços para a prospecção de hidrocarbonetos não convencionais na área, em função das novas tecnologias disponíveis". A brasileira afirmou também que embora "não tenha cometido nenhuma transgressão que justifique essa decisão do governo de Neuquén, continua à disposição das autoridades locais". Veta Escondida é uma das três áreas (as outras são da Argenta e Tecpetrol) em Neuquén com concessão cancelada.

O bloco da Petrobras estava entre os ativos da Perez Companc (Pecom), comprada pela estatal no início da década passada. Além de ressaltar que cumpriu todas as exigências como concessionária, a estatal informou por nota que, no seu entendimento, o acordo de exploração e uso continuará vigente até 2027. Inicialmente a concessão venceria em 2017, mas em 2008 foi negociada uma extensão do prazo por mais dez anos.

No início do mês passado Cristina Kirchner se reuniu com o ministro de Minas e Energia do Brasil, Edison Lobão, e cobrou uma presença mais forte da Petrobras na Argentina. Mas a nova ameaça sobre a estatal brasileira em Neuquén não é uma boa introdução ao assunto com a nova presidente da estatal, Graça Foster.

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