sexta-feira, 11 de maio de 2012

Argentina barra 60% das exportações da Natura


Fonte: O Estado de S. Paulo
Autor: Francisco Carlos de Assis
Mercadorias estão retidas na alfândega do país vizinho onde a marca é a terceira mais lembrada pelo consumidor argentino

Na semana em que o secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, liderou missão com 580 empresários ao Brasil, com o objetivo de exportar mais ao País, a Natura, indústria brasileira líder de mercado no segmento de cosméticos, fragrâncias e higiene pessoal, afirmou estar enfrentando sérias dificuldades para liberar a entrada de seus produtos na Argentina.

Segundo o diretor de assuntos corporativos e relações governamentais da empresa, Rodolfo Guttilla, desde que o secretário argentino editou a Declaração Juramentada Antecipada de Importação (Djai), em fevereiro, 60% de tudo o que a Natura exporta para o país vizinho está parado na alfândega. "É o próprio pessoal do sr. Moreno que está fazendo as liberações. E, às vezes, dá impressão que a coisa é pessoal, porque eles estão permitindo apenas a entrada das nossas matérias-primas, que vão para a nossa terceirizada no país", disse indignado o diretor da Natura.

De acordo com Guttilla, a Natura é a terceira marca de cosmético mais lembrada pelo consumidor argentino. "A Argentina é a sede da nossa operação na América Latina", disse o executivo, acrescentando que a empresa atua no mercado portenho desde 1994. "Mas, se a situação continuar nessa instabilidade, a Natura não vai ter como manter seus investimentos na Argentina", prevê o executivo, para quem cerca de 60 mil revendedoras no país vizinho, que têm na Natura sua fonte renda, deixarão de contribuir para movimentar a microeconomia local.

Perdas. A Natura tem uma indústria terceirizada na Argentina, mas os produtos acabados produzidos no Brasil, que respondem pela maioria dos embarques para o país, estão sendo retidos na alfândega de lá. "Confesso que já não sabemos mais o que fazer", diz o executivo. "Estamos a ponto de perder o resultado do ano. Respeitamos a soberania nacional argentina, mas a medida é desleal porque estamos perdendo mercado para empresas locais."

Guttilla elogiou a iniciativa do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que esteve na Argentina há 60 dias conversando com o secretário Moreno e com empresários.

Na terça-feira, Skaf reuniu na sede da entidade, durante todo o dia, os 580 empresários argentinos, 400 brasileiros além do próprio Moreno. Durante o encontro, denominado Rodada de Negócios Argentina-Brasil, brasileiros e argentinos discutiram formas de derrubar as barreiras comerciais erguidas dos dois lados.

Contudo, o diretor da Natura reclama da falta de empenho do governo brasileiro para solucionar o impasse comercial entre os dois países. "Levamos a nossa situação constrangedora ao conhecimento da Secretaria Executiva do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) há um mês e até agora não tivemos nenhuma resposta."

Por ser uma empresa de capital aberto, a Natura não abre para o público suas expectativas de faturamento por países ou regiões e nem seus investimentos.

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