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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

China acusa EUA de protecionismo no caso Huawei-ZTE

 
Fonte: O Estado de S. Paulo
Autora: Cláudia Trevisan
Governo americano alega questões de segurança para impedir empresas chinesas de fazerem aquisições ou fusões
 
A China acusou ontem os Estados Unidos de protecionismo, em resposta às conclusões de investigação do Congresso segundo a qual as fabricantes de equipamentos de telecomunicações Huawei e ZTE representam uma ameaça à segurança americana e devem ser impedidas de fazer aquisições ou fusões no país.
 
Resultado de investigação de quase um ano do Comitê Permanente sobre Inteligência, o relatório divulgado anteontem também recomendou que o governo exclua as empresas de sua lista de fornecedores e encorajou o setor privado a fazer o mesmo.
 
"Protecionismo e intervenção antimercado não são uma escolha sábia de Washington", disse comentário veiculado pela agência oficial de notícias Xinhua.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Uruguai quer barrar o capital especulativo

Fonte: Valor Econômico
Autor: César Felício

Pela primeira vez em sua história, o Uruguai irá barrar a entrada de capital especulativo no país. A partir de outubro, os bancos que adquirem em nome de não residentes títulos públicos em pesos terão que acompanhar a aplicação de um depósito compulsório de 40%. A medida, anunciada na quarta-feira, provocou uma desvalorização do peso uruguaio de 1,5% no dia seguinte.

O país tornou-se atraente para investidores desde que recebeu grau de investimento das empresas de classificação de crédito em abril deste ano. Do total da dívida pública uruguaia, que corresponde a 49% do PIB, segundo dados do FMI, 79% estão em moeda local e 14% correspondem à compra de títulos públicos por parte de não residentes, de acordo com dados de março do Banco Central do Uruguai. A taxa de juros básica fixada pela instituição está em 8,75%.

A medida valerá apenas para os títulos emitidos pelo Banco Central, que somam US$ 6,1 bilhões, ou cerca de 12% do PIB. Esses papéis em sua maioria são de curto prazo, com 79% desse montante vencendo em menos de um ano. O governo do Uruguai emite papéis predominantemente de médio e longo prazo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Presença de firmas brasileiras na China ainda é tímida

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Sergio Lamucci

Claudio Frishtak, consultor do CEBC, diz que é preciso paciência para conquistar a confiança dos chineses

A presença das empresas brasileiras na China ainda e tímida, como evidencia o baixo volume de investimentos em atividades produtivas no país asiático, mostra estudo inédito do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Até 2010, o estoque investido por companhias do Brasil na economia chinesa somava US$ 573 milhões, segundo números do Ministério do Comércio da China, uma fração do US$ 1,1 trilhão recebido pelo país até aquele ano.

Mudar esse quadro e ampliar o espaço das empresas brasileiras na China é difícil, mas não impossível, exigindo persistência empresarial e política, assim como uma visão de longo prazo que fortaleça relacionamentos com os parceiros chineses, diz o economista Claudio Frishtak, consultor do CEBC e responsável geral pela pesquisa.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

UNIÃO PODE ATENUAR REGRA DE CONTEÚDO LOCAL DA PETROBRAS

Fonte: Valor Econômico
Autora: Claudia Safatle

Ciente de que os investimentos no país não crescem e de que, ao contrário, neste ano estão encolhendo, o governo cogita usar no setor real da economia estratégia semelhante à executada para induzir os bancos a reduzir os juros. Assim como colocou os bancos públicos para liderar um processo de redução das taxas e retomada da expansão do crédito, seria dado impulso aos investimentos públicos e das empresas estatais para que eles arrastem junto os investidores privados.
Nessa estratégia, avalia-se a possibilidade de flexibilizar a exigência de índices de nacionalização nas encomendas da Petrobras, que chegam a 55%, para que a empresa possa acelerar seu programa de investimentos.


Diante do fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e dos investimentos que não crescem, o governo discute e colhe sugestões para estimular a expansão da oferta de bens e serviços. É a desaceleração da atividade econômica doméstica, a dificuldade de executar os investimentos públicos e o péssimo humor dos investidores privados com a situação externa que preocupam a presidente Dilma Rousseff, e não as questões políticas mais recentes - como a discussão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, sobre o julgamento do mensalão, asseguram seus assessores.

Dentre as medidas que podem vir a ser adotadas para puxar os investimentos consta a possibilidade de o governo adiar, de forma seletiva, a vigência das regras de conteúdo local para as encomendas da Petrobras. Isso permitiria à empresa acelerar seu programa de investimentos. Mas há outras propostas na mesa e, nesse sentido, chamam a atenção algumas sugestões vindas de dois interlocutores frequentes da presidente - os economistas Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo.

Ambos advogam, por exemplo, que o Ministério da Fazenda prorrogue os prazos de recolhimento dos impostos das empresas por 90 a 120 dias. Essa medida teria efeito imediato de prover o setor privado de recursos para capital de giro a custo zero, liberando os empresários dos guichês e dos elevados custos do dinheiro dos bancos. Delfim fez isso nos anos 60, num período em que o país estava em recessão, e a medida teria sido bem sucedida.

Sugestões envolvem prazo maior para recolher impostos

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Para evitar disputa na OMC, governo se antecipa e defende regras para 4G


Fonte: O Globo
Autora: Mônica Tavares
Estratégia é explicar que a nova tecnologia é um bem de interesse público


Mesmo sem nenhuma ação formalizada na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil se prepara para explicar ao mundo a natureza das exigências de maior conteúdo nacional nas compras de produtos dos vencedores nos futuros leilões do 4G (telefonia móvel de acesso a voz, vídeo e conteúdo multimídia em alta velocidade).

O principal argumento será qualificar o 4G como um bem público, ou seja, estratégico para o desenvolvimento do país. Até agora, não houve uma acusação direta, mas os EUA e a União Europeia movimentam-se para colocar esta questão até o fim desta semana na pauta da reunião do Comitê de Investimentos da OMC.

Outra medida que tem despertado a atenção dos parceiros internacionais, incluindo japoneses e coreanos, além de americanos e europeus, é o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na importação de automóveis. O objetivo do governo brasileiro foi reduzir as compras externas, que já afetavam a indústria nacional.

Os ministérios das Comunicações, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento estão elaborando respostas a possíveis questionamentos. Uma importante fonte do governo entende que existe uma preocupação maior do que simplesmente a 4G. O temor é o protecionismo fechar as portas para vários produtos em todos os mercados sul-americanos.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vale revisa investimentos em projeto na Argentina

Fonte: Valor Econômico
Incertezas de ordem institucional e econômica na Argentina estão levando a Vale a fazer uma análise do projeto de potássio Rio Colorado, na província de Mendoza, com investimentos estimados em US$ 5,9 bilhões. A recente decisão do governo argentino de nacionalizar a petroleira YPF tornou-se, no âmbito institucional, mais um elemento de preocupação para a Vale, disse o presidente da mineradora, Murilo Ferreira. Segundo ele, o evento político envolvendo a YPF não foi, porém, o fator exclusivo que levou à análise em relação ao projeto Rio Colorado.

"Estamos analisando o projeto sobre diversas perspectivas", afirmou Ferreira. As avaliações envolvem, além do cenário institucional, temas como inflação, política cambial, impostos sobre a exportação e discussões sobre infraestrutura com as províncias envolvidas no projeto. O Rio Colorado inclui investimentos na produção de potássio e a renovação de ferrovia, com 440 quilômetros, além da construção de um ramal ferroviário de 350 quilômetros e de um terminal marítimo em Bahia Blanca, na província de Buenos Aires.

A capacidade nominal estimada para o projeto é de 4,3 milhões de toneladas de potássio por ano com início da operação previsto para o segundo semestre de 2014. Segundo informações da empresa, o projeto encontra-se com 30% de avanço físico e um investimento total executado de US$ 1,1 bilhão. Só em 2012 foram investidos US$ 243 milhões de um total esperado para o ano de US$ 1 bilhão.

O presidente da Vale mencionou a preocupação com o projeto de Rio Colorado em teleconferência com analistas sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre do ano.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Delegação brasileira vai à China tratar de comércio e investimentos

Fonte: Valor Econômico
Autor: Assis Moreira

Uma delegação do governo brasileiro estará hoje em Pequim para discutir comércio e investimentos, coincidindo com o menor avanço nas trocas bilaterais em cinco anos, registradas no primeiro trimestre deste ano.

Segundo uma fonte do governo, a delegação brasileira quer, na prática, pedir para os chineses "segurarem" um pouco o ritmo de suas exportações para o mercado brasileiro. E no centro da pauta está a exportação de confecções e produtos têxteis chineses, que causa preocupação no setor no Brasil.

No entanto, pouco antes de partir de Doha, no Catar, com destino a Pequim, ontem à noite, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alessandro Teixeira, reagiu com visível desconforto ao ser indagado sobre a negociação com os chineses, da qual participará juntamente com o subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, Valdemar Carneiro Leão.

Primeiro, ele disse que haverá negociação "se tiver espaço". Depois, que iria falar das importações chinesas de produtos brasileiros. E, enfim, afirmou que a discussão é sobre comércio em geral e que não discutiria especificamente sobre o setor têxtil.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Aposta em mudança de regras atrai investimento privado

Fonte: Valor Econômico

O que faria um modelo mal-sucedido de política pública atrair empresários do setor privado bem-sucedidos em seus negócios? Essa é a pergunta óbvia para o caso dos quatro sócios da única Zona de Processamento de Exportação (ZPE) privada do Brasil.

Uma aposta na desburocratização do marco regulatório das ZPEs uniu Germano Pereira e Silva, dono da AS Pontes Construtora, Eduardo Peralta, do Grupo Peralta (da área de hipermercados e shoppings), Vitor Brás Pimenta, da Brascase (fornecedora de BR Foods e Seara), e Roberto Giannetti da Fonseca, empresário e diretor de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Liderados por Pereira e Silva, sócio majoritário, os empresários adquiriram o terreno da ZPE em Bataguassu, no sul do Mato Grosso do Sul, em agosto de 2010. O então proprietário, Ulisses Numman, vendeu parte do terreno de 400 hectares e trocou o restante por uma participação na empreitada.

"Fizemos uma aposta, que começou a fazer sentido no ano passado, quando o governo passou a ver as ZPEs como alternativa viável, não só para a diversificação industrial, como também para estimular a exportação de manufaturados", afirma Pereira e Silva. O período coincidiu com a definição, por parte do governo, de acelerar o início de operação das seis ZPEs com potencial de sair do papel - Bataguassu é uma das seis incluídas na estratégia do governo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Dilma vai lançar pacote para aumentar investimentos da indústria

Fonte: Rádio França Internacional


Em entrevista à imprensa, em Nova Délhi, a presidente Dilma Rousseff disse que nesse momento de retração da demanda na zona do euro e nos Estados Unidos, países com superávit como Alemanha, China e Brasil têm de estimular o consumo interno e ao mesmo tempo equilibrar suas exportações, "pois isso gera oportunidades para todas as outras economias". O governo brasileiro vai anunciar um pacote para a indústria ampliar sua capacidade de exportação.
 
 
Dilma afirmou que quando voltar ao Brasil vai anunciar um pacote de medidas para aumentar a capacidade de investimentos do setor privado. Ela reconheceu que as indústrias brasileiras precisam exportar mais e buscar a internacionalização.

Dilma e Medvedev discutem embargo russo à carne brasileira

Esta tarde, em Nova Délhi, Dilma teve uma reunião bilateral com o líder russo, Dmitri Medvedev. Eles conversaram sobre o embargo da carne brasileira para o mercado russo, em vigor desde junho do ano passado. Segundo a presidente, Medvedev se dispôs a fazer as avaliações técnicas necessárias. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, visita a Rússia amanhã para tratar do embargo, que prejudica frigoríficos do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso.

Na declaração final da 4ª cúpula do BRICS, encerrada hoje em Nova Délhi, o grupo critica o ritmo lento das reformas nas instituições de governança mundial, como FMI, Banco Mundial e o Conselho de Segurança da ONU, que não refletem o poder econômico dos emergentes na atualidade. Sobre conflitos internacionais como a crise política na Síria e no Irã, o grupo foi categórico: as soluções devem ser diplomáticas, sem intervenção militar externa ou uso da força.

"O Brasil não concorda com esses processos agressivos, retóricos", disse Dilma. "Acho extremamente perigoso as medidas de bloqueio de compras do Irã" – Estados Unidos e União Europeia impuseram embargo às importações de petróleo iranianas, alegando que Teerã usa o programa civil como fachada para fabricar a bomba atômica.

"O Brasil não tem relações comerciais com o Irã, mas compreende que outros países têm e precisam dessas compras », afirmou Dilma. Ela defendeu o direito de o Irã ter um programa de energia nuclear para fins pacíficos, como faz o Brasil, e recomendou que "ao invés de uma retórica agressiva, deve-se usar o direito internacional e deixar a Agência Internacional de Energia Atômica tratar do problema".

Agenda econômica do BRICS

Os desequilíbrios provocados pela crise financeira internacional e suas consequências para o crescimento e o comércio global dominaram os debates da cúpula do BRICS. Os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul tomaram algumas decisões para ampliar as trocas comerciais no interior do bloco.

Eles assinaram um acordo multilateral entre seus bancos de desenvolvimento para facilitar a concessão de crédito às exportações. O grupo também nomeou uma comissão técnica para viabilizar o projeto do Banco de Desenvolvimento do BRICS, destinado a oferecer crédito aos países em desenvolvimento sem as restrições impostas pelo FMI e o Banco Mundial.

terça-feira, 20 de março de 2012

BID e Eximbank chinês devem investir US$ 1 bi na AL e Caribe

Fonte: Valor Econômico
Autor: Juliana Cardoso

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Eximbank da China estão progredindo na criação de uma plataforma de investimento para a América Latina e Caribe que vai englobar até US$ 1 bilhão destinado à promoção do desenvolvimento econômico sustentável na região.

Conforme divulgou o BID em nota em sua página eletrônica, a plataforma de investimento deve estar operando ainda neste ano, seguindo uma carta de intenção assinada com o China Eximbank em 2011, quando as instituições anunciaram a intenção de estabelecer um mecanismo de investimento para projetos do setor público e privado nos países latino-americanos e caribenhos.

Pelo comunicado, o BID vai fornecer um empréstimo de US$ 150 milhões para a nova plataforma de investimento e o China Eximbank vai entrar com quantia correspondente. Os dois estão em processo de selecionar empresas de gerenciamento de ativos com reconhecimento internacional a fim de administrar os investimentos e captar recursos nos mercados.

"A nova plataforma vai promover laços de investimento mais fortes entre China e América Latina e Caribe, ajudando nossa região a superar alguns dos mais importantes desafios de desenvolvimento", afirmou o presidente do BID, Luis Alberto Moreno. "Essa parceria é um exemplo de como o BID pode desempenhar papel crucial na ampliação da cooperação entre nossa região e a China para incentivar o investimento e o comércio", acrescentou.

O vice-presidente do China Eximbank, Liu Liange, disse que "as demandas e as aspirações na cooperação técnica e econômica entre China e América Latina e Caribe crescem gradualmente".

Acusações contra executivos da Chevron ameaçam planos de novos investimentos

Fonte: Valor Econômico
Autores:  Daniel Gilbert e John Lyons | The Wall Street Journal

A intenção de promotores brasileiros de apresentar acusações criminais contra executivos da Chevron devido aos vazamentos de petróleo no mar ameaça dissuadir empresas estrangeiras de concretizar seus planos de abertura de poços nesse país rico em petróleo, disseram especialistas.

O Brasil apresentará acusações criminais amanhã contra executivos da Chevron e da Transocean, operadora de equipamentos de perfuração, acusando-os de crimes ambientais relacionados a vazamento de petróleo no mar ocorrido em novembro, disse o promotor Eduardo Santos de Oliveira.

A Chevron tem enfrentado dificuldades para estancar vazamentos no fundo do mar no lucrativo campo de Frade, 230 quilômetros a nordeste do Rio. Na semana passada, a petrolífera americana informou que um segundo vazamento submarino está liberando pequena quantidade de petróleo no oceano. A empresa interrompeu sua produção no campo.

Na sexta-feira, um juiz brasileiro proibiu um grupo de executivos e funcionários da Chevron e da Transocean de deixar o país. Oliveira disse que "existem informações e provas da ocorrência de conduta criminosa" por funcionários nas empresas relacionadas com o acidente de perfuração em novembro, que causou um vazamento de 2,4 mil a 3 mil barris de petróleo do fundo do mar.

"Vamos defender a empresa e seus funcionários. A Chevron está confiante em que, depois que todos os fatos forem plenamente examinados, irão comprovar que a Chevron tomou as providências adequadas e responsáveis diante do incidente", disse Kurt Glaubitz, porta-voz da companhia de San Ramon, Califórnia, em comunicado. Guy Cantwell, porta-voz da Transocean, disse que a empresa "sempre cooperou com as autoridades, mas continuará a defender vigorosamente seu pessoal".

Os acontecimentos são um revés para a Chevron, que tem cerca de 700 milhões de barris em reservas de petróleo no Brasil e está investindo cerca de US$ 2 bilhões em um de seus maiores projetos de petróleo no país - no campo marítimo de Papa-Terra - em associação com a Petrobras.

"Acho que alguns executivos ficarão muito alarmados com isso", disse Subash Chandra, analista da Jefferies & Co. em Nova York. Pavel Molchanov, analista da Raymond James em Houston, disse que o Brasil tem mais a perder do que a Chevron, que, segundo ele, tinha 1% de suas reservas no país. "O governo brasileiro está dando um tiro no pé", disse Molchanov. "O Brasil ainda precisa de capital e de know-how tecnológico. Não é estrategicamente vantajoso para o Brasil fazer as pessoas sairem do país ou deixarem de investir."

Bolívia estuda criar marco legal para investimentos

Fonte: Valor Econômico

O governo da Bolívia quer criar um "marco legal para investimentos", destinado a atrair investidores ao país, informaram autoridades bolivianas ao governo brasileiro. Ontem, após encontro com o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, o ministro de Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, informou que pretende reunir-se com autoridades brasileiras e representantes da Petrobras para discutir "o importante trabalho" da estatal no país vizinho.

A reunião com a Petrobras e governo brasileiro será no Rio de Janeiro, na próxima semana, segundo apurou o Valor. Os bolivianos querem discutir o que consideram pagamentos devidos pela Petrobras por gases nobres vendidos com o gás natural da Bolívia fornecido ao Brasil, mas também procuram atrair investimento brasileiro para construção de hidrelétricas no país. Nas ameaças de revisão de contratos que têm feito a petroleiras acusadas de investir pouco no país, o presidente boliviano, Evo Morales, têm tido o cuidado de excluir a estatal brasileira.

Questionado na Justiça boliviana por ter garantido à indiana Jindal fornecimento de gás a preços abaixo do mercado internacional, para produção de aço no país, Morales está preocupado em assegurar aos investidores estrangeiros a segurança necessária para aumentar os investimentos no país. Um dos obstáculos que enfrenta é a própria constituição do país, votada em seu governo, que proíbe a repatriação de capital estrangeiro. Autoridades da Bolívia discutem alternativas a essa proibição, como uma regra estável, que fixe um percentual obrigatório de reinvestimento de capital no país, sem bloquear totalmente a repatriação de recursos dos investidores.

A Bolívia será anfitriã, em junho da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Cochabamba, e, segundo disse Choquehuanca ao governo brasileiro, está preocupada em discutir, no encontro dos países americanos, propostas de "segurança alimentar", para permitir aos países mais pobres enfrentar a recente alta nos preços das commodities, que encarece até produtos tradicionais, como a quinoa. Muito usada na culinária boliviana, a quinoa, com seu sucesso internacional, está ficando cara demais para o orçamento dos bolivianos, queixou-se o ministro.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Estrangeiro que comprar títulos pode pagar IR


Fonte: O Globo
Autores: Martha Beck, Geralda Doca e Vinicius Neder
Investimento externo em renda fixa é isento de imposto atualmente. Após dois dias de alta, dólar cai e fecha a R$ 1,80

Um dia após taxar com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% os empréstimos de empresas no exterior com prazos de até cinco anos, para segurar o câmbio e proteger a indústria, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se comprometeu a ajustar a regra para que não prejudique o setor exportador. Ele também admitiu a possibilidade de taxar com Imposto de Renda (IR) investimentos estrangeiros em títulos públicos de renda fixa - hoje isentos -, ao falar das medidas que o governo pode adotar para evitar uma desvalorização excessiva do dólar frente ao real.

O dia de otimismo nos mercados globais acabou prevalecendo e o dólar comercial caiu 0,28% ontem, a R$ 1,80, após dois dias de alta. Houve grande volatilidade. A cotação chegou a subir 1,27% e caiu a 0,66% na mínima do dia. Segundo analistas, o sobe e desce é uma reação do mercado às recentes medidas adotadas pelo governo, para tentar conter a queda da divisa.

Ao participar de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, Mantega ouviu do senador Blairo Maggi (PR-MT) que a nova taxação do IOF - para dificultar a entrada capital especulativo no país - acabou afetando os exportadores que captam recursos no mercado internacional para se financiar. O ministro defendeu a medida, mas admitiu que distorções podem ser corrigidas:

- Você dá o tiro, acerta o urubu, mas acerta também o gavião que está do lado. Ao mexer no IOF, você pode prejudicar algum exportador com isso. Mas não podemos deixar de tomar medidas. Vamos aperfeiçoar os instrumentos para acertar.

Em relação ao IR sobre investimentos estrangeiros em renda fixa, a demanda veio dos senadores. Mantega explicou que o IOF de 6% já reduz bastante os ganhos de arbitragem dos estrangeiros, mas admitiu que o IR pode entrar no radar da equipe econômica, caso seja necessário.

Ainda dentro desse esforço para estimular o setor exportador, o ministro informou que o governo anunciará em breve medidas para reduzir o custo do Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). Nessas operações, um banco - principalmente o Banco do Brasil - antecipa ao empresário parte ou todo o valor que tem a receber do importador.

terça-feira, 13 de março de 2012

IOF agora atinge quase todo o crédito externo

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Fernando Travaglini
Em mais um passo de sua ofensiva para conter a valorização do real, o governo estendeu ontem para empréstimos externos de cinco anos a cobrança do IOF de 6%, que valia para operações de até três anos. A medida atingiu praticamente todas as linhas de empréstimos feitas por bancos estrangeiros para companhias nacionais. O dólar subiu 1,12%, para R$ 1,805

O governo direcionou sua artilharia novamente para as captações de recurso no exterior, em mais uma tentativa de segurar a taxa de câmbio. Ao estender para empréstimos de até cinco anos a cobrança do IOF de 6%, que até agora valia para operações de até três anos, a medida atingiu praticamente todas as linhas de empréstimos feitas por bancos estrangeiros para as companhias nacionais. Quase não há crédito acima de cinco anos (com exceção dos financiamentos de projetos de infraestrutura). Os bancos internacionais, especialmente os europeus, sofrendo com a crise, já vinham reduzindo os prazos e elevando as taxas de juros das operações mais longas.

Segundo um diretor de banco, algumas operações que já haviam sido negociadas, com definição dos bancos que participariam da sindicalização (pool), foram colocadas em espera. "Os bancos estão buscando alternativas", diz. "Inúmeras operações estão sendo reavaliadas." A medida deve inibir também o empréstimo intercompanhia, quando a matriz toma recursos no exterior para repassar para a filial no Brasil, prática que vinha se intensificando graças ao diferencial de juros entre os mercados doméstico e externo.

Mas o governo está atacando no lugar errado, avalia o executivo de um banco estrangeiro, já que não há muitas operações de empréstimos neste ano, seja pela falta de liquidez em dólares, seja pelas dificuldades enfrentadas por muitas instituições financeiras na Europa.

A única modalidade de captação no exterior que continua bastante ativa, a emissão de bônus, praticamente não é atingida pelo imposto, já que os prazos, em sua grande maioria, superam cinco anos. Até por isso, as maiores prejudicadas serão as empresas de médio porte, já que a emissão de bônus continua restrita às companhias de primeira linha, diz o diretor de um grande banco.

Outro efeito colateral deve ser a elevação do custo das linhas, a exemplo do que já vinha ocorrendo na esteira das medidas adotadas no início do mês (limite de um ano para o pré-pagamento e IOF para linhas de até três anos).

segunda-feira, 12 de março de 2012

País lidera 'desglobalização' de bancos europeus fora da UE, aponta relatório


Fonte: O Estado de S. Paulo
Autor: Jamil Chade
Dados do BIS mostram redução de US$ 53 bilhões nos empréstimos e ativos dessas instituições só no Brasil; no mundo, foram US$ 800 bi

O Brasil é o país fora da União Europeia que registrou a maior contração de financiamento de projetos e empréstimos de bancos europeus no mundo. No auge da crise, as instituições europeias, obrigadas a lidar com os próprios problemas, deram início a um período de "desglobalização" para se concentrar em socorrer seus negócios, muitos à beira da falência.

Os dados são do Banco de Compensações Internacionais (BIS), que indica que a queda é a primeira em dois anos no caso brasileiro. Mas, apesar da redução de US$ 53 bilhões no Brasil, os empréstimos europeus estão sendo substituídos por instituições locais e sucursais registradas como bancos nacionais e não há sinal da falta de crédito no País, pelo menos por enquanto. Nos últimos meses, a emissão de bônus também ajudou a compensar a queda.

O que o BIS alerta, porém, é que essa tendência europeia ameaça ser mantida por alguns anos e a questão é saber se os mercados emergentes terão como repor o papel desempenhado pelos europeus até agora.

No total, os bancos europeus reduziram a participação em atividades financeiras pelo mundo em US$ 800 bilhões entre julho e setembro de 2011. A desglobalização já resultou numa queda de 39% no financiamento de projetos e 23% no comércio.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dólar cai apesar de mudança de IOF e intervenção do BC

Fonte: Estado de S. Paulo
O governo adotou ontem mais uma medida para tentar conter a valorização do real em reação à invasão de dólares que está ocorrendo no Brasil.

Os empréstimos tomados por bancos e empresas brasileiras no exterior com prazo menor que três anos serão taxados em 6% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A regra anterior tributava operações de até dois anos.

A medida é uma reação à decisão do Banco Central Europeu (BCE), anunciada na quarta-feira, de injetar o maior volume de recursos de sua história nos bancos europeus para fomentar o crédito. Política que também vem sendo adotada pelo Fed, o banco central dos EUA.

A atuação das autoridades monetárias tem provocado uma enxurrada de dólares nos países emergentes e foi classificada pela presidente Dilma Rousseff de "um tsunami monetário" dos países desenvolvidos. "As taxas de juros estão entre 1% e 2% em vários países. Agora, a Europa entrou na mesma balada, fazendo fortes emissões de crédito", reforçou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Impacto é pequeno para emissões de títulos no exterior

Fonte: Valor Econômico
Autor: Fernando Travaglini

A tributação dos empréstimos externos com vencimento em até três anos, anunciada ontem pelo governo, terá pouco impacto para as captações externas por parte de empresas e bancos brasileiros. Segundos fontes de bancos, o efeito para as emissões de títulos no exterior é praticamente nulo, já que a grande maioria das operações nos últimos anos é acima desse prazo.

Poucas companhias, em geral de menor porte e mais risco de crédito, captam com prazos inferiores a três anos. Desde 2010, o volume de títulos e empréstimos sindicalizados no exterior com vencimento inferior a 36 meses somou pouco mais de US$ 11,5 bilhões, menos de 10% do total. Em 2012, foram captados US$ 1,4 bilhão em recursos com essas características.

Apesar de o impacto ser pequeno, há um efeito marginal, já que cada vez que se amplia em um ano o prazo, o governo atinge mais um pedaço das operações, ainda que pequeno. "No fim das contas, foi um sinal que o governo emitiu de que está incomodado. E uma medida como essa cria uma zona de atrito com o investidor internacional", diz uma fonte de mercado.

O impacto maior, dizem especialistas, será nos empréstimos diretos feitos com bancos internacionais e nos empréstimos intercompanhias. Do total da dívida externa brasileira divulgada pelo Banco Central (que foi a US$ 364 bilhões em setembro de 2011), 28% (US$ 102 bilhões) é de empréstimos intercompanhia. A maior parte desse volume, cerca de 40%, vence em até três anos.

Ainda assim, desde que o governo ampliou o IOF para empréstimos de até 2 anos, em abril do ano passado, o volume tem se mantido praticamente estável, na casa dos US$ 100 bilhões.

O temor do governo parece ser que as multinacionais comecem a captar recursos baratos nos bancos europeus (que estão extremamente líquidos depois da injeção de capital no mercado por parte do Banco Central Europeu) e apliquem os dólares no Brasil, por meio desses empréstimos intercompanhia.

Mas até agora, esse movimento não foi sentido pelos bancos. "Não houve aumento recente das operações de curto prazo para compra de títulos públicos brasileiros", disse o executivo de um grande banco estrangeiro.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

China 'troca' infraestrutura por grãos na América do Sul

Fonte: Valor Econômico
Autor:Assis Moreira

A China está mudando seu modelo de investimentos na agricultura da América do Sul. Diante das restrições a estrangeiros para a aquisições de terras no Brasil e na Argentina, os chineses passaram a privilegiar aportes em infraestrutura em troca do direito exclusivo de comprar a colheita.

Para o Rabobank, banco holandês líder em financiamentos ao setor de agronegócios, a China tende a aumentar exponencialmente seus investimentos na América do Sul como forma de garantir seu abastecimento, sobretudo de soja, e aumentar cada vez mais as compras de milho.

O banco menciona que estimativas da consultoria Deloitte sobre investimentos chineses no Brasil indicam que, em geral, o montante poderá alcançar US$ 40 bilhões até 2014. Em 2007, o estoque era inferior a US$ 100 milhões. Na Argentina, os aportes passaram de US$ 10 bilhões desde 2009. Outros US$ 3 bilhões a 4 bilhões foram anunciados em novos projetos agrícolas.

Renato Rasmussen, economista do Rabobank e um dos autores do estudo do banco sobre a expansão chinesa no agronegócio da América do Sul, nota que o plano inicial de Pequim era comprar terras e produzir. Agora, para evitar problemas depois que Brasil e Argentina impuseram restrições à aquisição ou leasing de terras por estrangeiros, grupos chineses partiram para um modelo que corresponde, em parte, ao desejo desses países em atrair investimentos em infraestrutura e exportar produtos de maior valor agregado.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rota de dólares para o Brasil

Fonte: O Globo
Negócios & CIA

Com a economia americana crescendo pouco, empresas e bancos dos EUA aumentam este ano as apostas no Brasil e, em especial, no Rio de Janeiro. Em março, executivos do banco de fomento Eximbank virão conversar com o governo do estado e com empresas fluminenses, dispostos a desembolsar US$1 bilhão em projetos. Será a primeira de uma série de missões comerciais que estão sendo programadas pelo Serviço Comercial Americano (USCS, na sigla em inglês). Em 2011, foram 12 visitas de empresários entre os dois países. Este ano, a meta é superar esses números.

O cônsul Alan Long, à frente do USCS no Rio, adianta que há projetos de organizar um roadshow de grandes empresas que operam por sistema de franquias. A ideia é reunir de oito a 12 companhias americanas com esse perfil, além de investidores brasileiros. "O evento deve acontecer ainda neste semestre no Rio, em São Paulo e em outras cidades do Brasil", estima Long. Há planos ainda de trazer missões comerciais de empresas do setor de automação da indústria automotiva do Meio-Oeste dos EUA. "O Brasil é um mercado muito bom, mas também tem seus desafios. Todos querem vir. Por isso, fazemos triagem para ver qual empresa tem potencial para crescer no país. No Rio, por exemplo, vemos oportunidades nos setores de energia, segurança, infraestrutura e tecnologia da informação", diz o cônsul.

Está sendo organizada também, continua ele, a vinda de uma companhia do Novo México, especializada em controle de poluição de águas. Rafael Lourenço, gerente de desenvolvimento de negócios do Conselho Empresarial Brasil-EUA, diz que está sendo criada uma agenda para acordos na área de energia: "Além do setor de petróleo, com o desenvolvimento tecnológico, estudamos uma missão com empresas voltadas para tecnologias verdes, como eólica e solar".

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Dilma deve anunciar investimentos em visita a Cuba

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Sergio Leo

O Brasil quer participar do "ajuste" no modelo econômico cubano, para abrir gradualmente o país às forças de mercado. Esse deve ser o principal tema da viagem da presidente Dilma Rousseff a Cuba, em 31 de janeiro.

Nos dois últimos dias, o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, visitou autoridades no país, com quem discutiu investimentos de centenas de milhões de dólares no porto cubano de Mariel e projetos como a aquisição de medicamentos contra o câncer e sua fabricação no Brasil, para a população de baixa renda.

Dilma tem encontro marcado com o presidente cubano, Raúl Castro, e quer encontrar-se também com o ex-presidente Fidel Castro, a quem pediu que cumprimentassem por servir de "inspiração", pela "luta por dignidade e resistência". Como seu antecessor, Luis Inácio Lula da Silva, Dilma não prevê encontros com dissidentes, mas seus assessores afirmam que o governo tem discutido a questão dos direitos humanos na ilha.

Segundo uma fonte do governo, Dilma seguirá a linha que orientou seu discurso na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, quando disse que "há violações em todos os países, sem exceção", e recomendou: "Reconheçamos essa realidade e aceitemos, todos, as críticas."

Patriota esteve com Raúl Castro, mas não chegou a falar em direitos humanos. A conversa concentrou-se em projetos conjuntos dos dois países e no interesse brasileiro em firmar projetos de cooperação em educação e saúde e ocupar maior espaço na economia cubana. Dilma fala em "desenvolvimento inclusivo" para definir a estratégia dos projetos de cooperação com a ilha.