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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Investimento externo é recorde na AL, mas prioriza países seguros

Fonte: Valor Econômico
Autor: Fabio Murakawa

O investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina bateu recorde em 2011, atingindo US$ 153,4 bilhões, segundo relatório divulgado ontem pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão das Nações Unidas. O grande volume de ativos multinacionais na região, a boa rentabilidade e o bom desempenho da economia explicam a alta, mas os dados sugerem que os investidores preferem aplicar seu dinheiro em países que, além do dinamismo da economia e de recursos naturais, oferecem estabilidade jurídica e macroeconômica.

Com US$ 66,6 bilhões, o Brasil segue na ponta do ranking, sendo responsável 43,4% do IED na região em 2011. O México (US$ 19,4 bilhões) vêm em seguida. A Europa foi a maior fonte de investimentos, respondendo por quase 40% do IED total em 2011. Empresas dos EUA (18%) e do Japão (8%) são outros grandes investidores.

"Países que mostram dinamismo econômico, oferta de recurso e estabilidade atraem mais investidores, de acordo com a aversão ao risco do investidor", disse ao Valor o diretor do escritório da Cepal no Brasil, Carlos Mussi.

Isso explica, em parte, o desempenho relativamente ruim de países como a Venezuela e a Argentina, em que estatizações, forte intervenção do Estado e mudanças bruscas na política econômica têm reflexos diretos no IED.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Segurança alimentar na AL e Caribe

Fonte: Valor Econômico
Autor: José Graziano da Silva
Erradicar a fome é um desafio em todos os cantos do planeta. E a América Latina e Caribe é a região em desenvolvimento em melhor condições de fazê-lo, superando o paradoxo de ser uma das maiores produtoras de alimentos do mundo e conviver com mais de 50 milhões de subnutridos.

Este será um dos temas em discussão nos próximos dias em Buenos Aires, durante a 32ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, reunião ministerial que ajuda a definir as ações da organização em nível mundial e definir suas prioridades de trabalho na região.
A conferência aproxima a FAO dos países da região e garante que o trabalho da organização atenda às suas necessidades. É um exercício que se repete em diferentes regiões do mundo. Em meados de março, foi realizada no Vietnã a Conferência Regional para a Ásia e o Pacífico. Nessa reunião, que contou com a participação de 39 países, ficou clara a necessidade de estratégias regionais de arroz e aquicultura e de apoiar as pequenas ilhas do Pacífico na criação e fortalecimento dos circuitos locais de produção e consumo vinculados ao turismo.

O potencial da cooperação Sul-Sul para enfrentar os desafios, somada à vontade dos países em compartilhar seus conhecimentos, foi outra notável conclusão da conferência asiática e que tem grande potencial também na América Latina e Caribe.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Cepal apoia ação protecionista na América Latina


Fonte: O Globo
Autora: Martha Beck
Excesso de liquidez dos países ricos legitima ato defensivo, diz secretária

As ações adotadas pelos países da América Latina para proteger suas economias da política monetária expansionista de Europa e EUA não podem ser classificadas como protecionistas. A avaliação é da secretária-executiva da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), Alicia Bárcena. Em entrevista ao GLOBO, ela disse que os países estão apenas compensando o forte impacto que a estratégia dos desenvolvidos provoca nos mercados domésticos:

- Eu diria que a Europa está praticando dumping, ao colocar no mercado 1 trilhão a uma taxa de 3%. Então, ações como as que o Brasil está adotando são uma resposta antidumping - afirmou ela. - A meu ver, medidas claras e com prazo para acabar, como o aumento do imposto para a entrada de veículos importados, adotado pelo Brasil, são apenas instrumentos que estão na caixa de ferramentas dos países e eles têm direito de usar.

Ela lembrou que até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) vem defendendo que os países adotem medidas como controle de capitais para se defender dos desequilíbrios que estão sendo gerados na economia mundial pelo excesso de liquidez.

terça-feira, 20 de março de 2012

Protecionismo brasileiro gera preocupação na América Latina

Fonte: Reuters

Os países latino-americanos mais comprometidos com o livre comércio estão disparando o alarme com os sinais de protecionismo às suas portas. A Argentina e, mais recentemente, o Brasil, adotaram medidas para diminuir as importações e fortalecer sua indústria, em face da valorização das moedas locais e dos elevados custos tributários e trabalhistas.

“Os maiores países da América Latina têm de entender que precisam de todos nós, porque neste mundo eles sozinhos não são nada”, disse o presidente do Uruguai, José Mujica, durante uma reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na segunda-feira.

Patrícia Espinosa, chanceler do México -país com o qual o Brasil travou uma recente disputa sobre quotas de importação de veículos-, disse que a região deve responder à desaceleração econômica global fortalecendo seus vínculos comerciais, ao invés de restringi-los.

Conversas nos corredores da reunião do BID focavam no excesso de dinheiro com origem nos bancos centrais das economias ricas, e em como ele está fluindo na direção dos lucrativos mercados latino-americanos. Isso está puxando para cima o valor das moedas locais, prejudicando a competitividade e deixando alguns países tentados a adotarem medidas para diminuir as importações.

Pesquisas mostram, no entanto, que derrubar barreiras comerciais estimula o crescimento no longo prazo -algo de que a região precisa desesperadamente. O BID e o FMI projetam uma expansão de 3,6 ou 3,7 por cento na economia latino-americana para este ano, bem aquém dos 6,1 por cento registrados em 2010.

“O protecionismo pode ser uma boa forma de evitar o trabalho sujo no curto prazo, mas, para a nossa região (…), é simplesmente o pior inimigo que temos”, disse Nicolas Eyzaguirre, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.

O BID estima que o comércio exterior represente 39 por cento do PIB da região, bem abaixo dos 70 por cento alcançados nos países em desenvolvimento do Leste da Ásia e Pacífico. Cifras da Organização Mundial do Comércio indicam que as exportações das Américas do Sul e Central compuseram apenas 4 por cento de todo o comércio internacional em 2010.

BRASIL

O Brasil tem enfrentado uma forte apreciação do real, que atingiu máxima de 12 anos no ano passado. Uma série de medidas adotadas pelo país para proteger a indústria local pode afetar as importações dos vizinhos latino-americanos, que triplicaram desde 2005 para 36,7 bilhões de dólares.

BID e Eximbank chinês devem investir US$ 1 bi na AL e Caribe

Fonte: Valor Econômico
Autor: Juliana Cardoso

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Eximbank da China estão progredindo na criação de uma plataforma de investimento para a América Latina e Caribe que vai englobar até US$ 1 bilhão destinado à promoção do desenvolvimento econômico sustentável na região.

Conforme divulgou o BID em nota em sua página eletrônica, a plataforma de investimento deve estar operando ainda neste ano, seguindo uma carta de intenção assinada com o China Eximbank em 2011, quando as instituições anunciaram a intenção de estabelecer um mecanismo de investimento para projetos do setor público e privado nos países latino-americanos e caribenhos.

Pelo comunicado, o BID vai fornecer um empréstimo de US$ 150 milhões para a nova plataforma de investimento e o China Eximbank vai entrar com quantia correspondente. Os dois estão em processo de selecionar empresas de gerenciamento de ativos com reconhecimento internacional a fim de administrar os investimentos e captar recursos nos mercados.

"A nova plataforma vai promover laços de investimento mais fortes entre China e América Latina e Caribe, ajudando nossa região a superar alguns dos mais importantes desafios de desenvolvimento", afirmou o presidente do BID, Luis Alberto Moreno. "Essa parceria é um exemplo de como o BID pode desempenhar papel crucial na ampliação da cooperação entre nossa região e a China para incentivar o investimento e o comércio", acrescentou.

O vice-presidente do China Eximbank, Liu Liange, disse que "as demandas e as aspirações na cooperação técnica e econômica entre China e América Latina e Caribe crescem gradualmente".

segunda-feira, 19 de março de 2012

Brasil apóia fundo do BID para América Latina


Fonte: O Estado de S. Paulo
Autor: Fábio Alves

Objetivo é separar US$ 8 bilhões para efeitos de crises econômicas e de desastres naturais

O Brasil apoiará a criação pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de um fundo de US$ 8 bilhões para socorrer os países latino-americanos atingidos pela crise financeira atual ou desastres naturais, informou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, em entrevista exclusiva à "Agência Estado", após um encontro de representantes dos países membros na reunião anual do BID, em Montevidéu.

O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, apresentará hoje a proposta de criação do fundo de contingenciamento aos governadores da instituição, como são chamados os representantes oficiais dos países, na sessão plenária do último dia da reunião do BID. Entre as condições para que um país possa recorrer ao fundo está a de seguir um receituário de política econômica estabelecido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil, segundo Miriam, discorda dessa condição para a liberação dos empréstimos.

"O BID não pode fazer juízo de valor a respeito das políticas de cada país", destacou a ministra. "Cada país tem independência para adotar a sua política econômica. Então, essa é uma restrição que normalmente o Brasil faz, de que não se vincule a disponibilização dos recursos versus um receituário (econômico), pois isso já mostrou que não funciona tão bem", explicou.

O fundo destinará uma linha de financiamento de US$ 6 bilhões para a adoção de políticas anticíclicas em países que venham a pedir ajuda para combater os efeitos negativos de uma eventual deterioração da crise da zona do euro.

terça-feira, 13 de março de 2012

Modelos de desenvolvimento na AL

Fonte: Valor Econômico
Autor: Carlos Chacho Alvarez
Na próxima sexta-feira, na sede da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), juntamente com a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), ministros e autoridades da região, debaterão as complementaridades e as convergências dos diferentes modelos de desenvolvimento presentes hoje na América Latina.

Depois de décadas de "sermos pensados a partir de fora da região", quando as políticas econômicas e sociais eram orientadas ou condicionadas pelos organismos financeiros internacionais, a maioria dos países latino-americanos voltou ao exercício de pensar em si por si mesmos, de estabelecer estratégias de desenvolvimento a partir de suas próprias necessidades e de seus interesses reais.

Esta mudança de época coincide com a crise de legitimidade do capitalismo, na qual o mundo desenvolvido já não pode exportar suas visões como saber dominante ou hegemônico.

Foram abertas as fronteiras do possível. Essa é a razão da importância de avançar na busca de denominadores comuns e de coincidências que deem suporte conceitual ao aprofundamento de um "Projeto de Desenvolvimento para a América Latina no Século XXI".

Não se trata de atualizar o velho desenvolvimentismo economicista dos anos 50, que, em grande medida, separava a política da economia, e esta do desenvolvimento social e da distribuição de renda.
Quando falamos de um projeto de desenvolvimento para o século XXI, falamos de recentrar o domínio da política e da democracia em relação ao mercado e de associar as políticas de crescimento à diminuição da pobreza e da desigualdade.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A crise mundial e a América Latina


Fonte: O Estado de S. Paulo
Autor: Antonio C. Pannunzio
É PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA, É PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA

Entre as previsões que pululam nessa transição de calendário, a que mais chama a atenção é a advertência da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo Christine Lagarde, a severidade da crise e a dificuldade que os europeus têm para geri-la criarão uma onda que atingirá todas as economias do mundo.

Se a principal autoridade da economia mundial não esconde o que espera para 2012, relatório divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) esboça cenários pouco confortáveis para o panorama social da região na esteira dos efeitos da turbulência internacional.
O receio inicial é de que fluam para o ralo os avanços na distribuição de renda proporcionados pela implementação de programas sociais, conforme registra o estudo realizado em 17 países pela Cepal, que também constatou recuo na taxa de pobreza. A questão, entretanto, é que esses números são paliativos, não resolvem os graves problemas estruturais desses países, que convivem com riscos cotidianos de exclusão e índices educacionais sofríveis.

Mudar esses parâmetros tem sido um desafio desde sempre e já era tema de Eduardo Galeano em seu livro As veias abertas da América Latina, publicado há quatro décadas. Se o incremento das políticas públicas sociais depende diretamente do processo de evolução da economia, é preciso que os governantes prestem atenção aos temores dos arautos globais e ponham suas barbas de molho.
As projeções de especialistas e organismos internacionais também fazem coro ao pessimismo generalizado em relação à crise do euro e suas consequências para o resto do mundo. O balanço das economias da América Latina e Caribe, divulgado pela Cepal, sinaliza crescimento menor para a região do que o registrado em 2011.

É nesse contexto que a advertência da diretora do FMI suscita a expectativa de que uma nova espiral negativa na economia mundial será potencialmente muito maior do que a simples "marolinha" de 2008 e não irá fazer distinção entre países ricos, emergentes e pobres. Naquele ano, é bom lembrar, os países da América Latina fizeram costuras políticas regionais que blindaram a região da hecatombe, que, como se viu, impactou as economias da União Europeia.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

América Latina terá expansão desigual; Brasil fica para trás

Fonte: Valor Econômico

A ONU avalia que cresceu a vulnerabilidade dos países em desenvolvimento diante da desaceleração econômica das nações ricas. Ou seja, o deslocamento entre os dois grupos não é bem a realidade.
Avalia que os emergentes e outros em desenvolvimento continuarão alimentando o motor da economia mundial, mas que o crescimento do grupo como um todo pode ficar em 5,4% em 2012, bem inferior aos 7,1% de 2010.

Na América Latina, a expansão econômica será ainda robusta, mas desigual. Os países da América do Sul continuarão a ter queda no crescimento, com 3,6% de alta do PIB. As economias do Caribe, América Central e México crescem menos, por volta de 3%.

Entre os grandes emergentes, a entidade global acha que o Brasil e o México podem sofrer de maneira mais visível com a desaceleração global. Isso dependerá do tipo de aterrissagem da economia da China, grande compradora de commodities brasileiras.

Projeta também forte vulnerabilidade nos preços das commodities. Ainda mais que os investimentos no setor continuam em alta. Segundo a ONU, os contratos futuros em matérias-primas aumentaram de US$ 418 milhões em 2010 para US$ 2,6 trilhões em 2011. Esse aumento dramático nas transações eleva a desconexão entre movimento de preços e os fundamentos do mercado.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pouca integração?

Fonte: O Globo
Autor: Carlos Cacho Alvarez
Os setores que se mostram críticos ao projeto de integração latino-americana usam o argumento da multiplicidade de organismos sub-regionais (Aladi, CAN, Caricom, Sela, Celac, Mercosul, Sica, Unasul) para questionar, na verdade, o que é fundamental e estratégico da perspectiva integradora.

Os mais conservadores preferem que nossos países se posicionem como periferia dependente do mundo desenvolvido e não como nações, segmentos econômicos do mercado internacional, cada um com seu próprio esquema e com vínculos muito fracos com os vizinhos e com a região em sua totalidade.

Acostumados a viver à sombra dos modelos orientados sobretudo pelos organismos financeiros internacionais e os saberes hegemônicos em crise, custa-lhes conceber a região com categorias próprias. Custa-lhes, ainda mais, assumir a mudança de época em nossa geografia e as transformações de um mundo que deve ser recusado em sua atual etapa de financeirização ou de anarcocapitalismo, como definido com precisão pela presidente Cristina Kirchner na última reunião do Grupo dos 20, em Cannes.

A América Latina vive um momento muito intenso e transcendente, com democracias generalizadas, crescimento sustentável das economias, combatendo de maneira eficaz a pobreza e a indigência. Acrescentemos duas questões que nunca estiveram tão presentes: vontade de integração - em um mundo que se vai configurando por regiões - e protagonismo na cena global. Três países latino-americanos, Argentina, Brasil e México, participam do principal fórum econômico mundial, que é o Grupo dos 20.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Empresários da AL acusam Brasil de protecionismo

Fonte: Valor Econômico
Autor: Por Daniel Rittner
 

Empresários latino-americanos reunidos em Brasília acusaram ontem o governo brasileiro de adotar políticas protecionistas contra os vizinhos da região, enquanto usa os fóruns internacionais para cobrar a liberalização comercial dos países ricos. Eles colocaram em dúvida, no entanto, a tese de que a expansão das companhias brasileiras esteja gerando uma espécie de "imperialismo verde e amarelo" na América Latina.

O empresário mexicano Gilberto Marín, dono de uma indústria de fraldas e absorventes que está entre as 50 maiores "multilatinas", resumiu as queixas. "Foram firmados diversos acordos de complementação econômica entre o Brasil e outros países da região, inclusive o México. Mas depois disso, quando um setor específico se sente ameaçado, vêm as barreiras não tarifárias: inspeções dobradas, argumentos fitossanitários, novas normas técnicas e impostos."