Mostrando postagens com marcador Títulos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Títulos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de março de 2012

Impacto é pequeno para emissões de títulos no exterior

Fonte: Valor Econômico
Autor: Fernando Travaglini

A tributação dos empréstimos externos com vencimento em até três anos, anunciada ontem pelo governo, terá pouco impacto para as captações externas por parte de empresas e bancos brasileiros. Segundos fontes de bancos, o efeito para as emissões de títulos no exterior é praticamente nulo, já que a grande maioria das operações nos últimos anos é acima desse prazo.

Poucas companhias, em geral de menor porte e mais risco de crédito, captam com prazos inferiores a três anos. Desde 2010, o volume de títulos e empréstimos sindicalizados no exterior com vencimento inferior a 36 meses somou pouco mais de US$ 11,5 bilhões, menos de 10% do total. Em 2012, foram captados US$ 1,4 bilhão em recursos com essas características.

Apesar de o impacto ser pequeno, há um efeito marginal, já que cada vez que se amplia em um ano o prazo, o governo atinge mais um pedaço das operações, ainda que pequeno. "No fim das contas, foi um sinal que o governo emitiu de que está incomodado. E uma medida como essa cria uma zona de atrito com o investidor internacional", diz uma fonte de mercado.

O impacto maior, dizem especialistas, será nos empréstimos diretos feitos com bancos internacionais e nos empréstimos intercompanhias. Do total da dívida externa brasileira divulgada pelo Banco Central (que foi a US$ 364 bilhões em setembro de 2011), 28% (US$ 102 bilhões) é de empréstimos intercompanhia. A maior parte desse volume, cerca de 40%, vence em até três anos.

Ainda assim, desde que o governo ampliou o IOF para empréstimos de até 2 anos, em abril do ano passado, o volume tem se mantido praticamente estável, na casa dos US$ 100 bilhões.

O temor do governo parece ser que as multinacionais comecem a captar recursos baratos nos bancos europeus (que estão extremamente líquidos depois da injeção de capital no mercado por parte do Banco Central Europeu) e apliquem os dólares no Brasil, por meio desses empréstimos intercompanhia.

Mas até agora, esse movimento não foi sentido pelos bancos. "Não houve aumento recente das operações de curto prazo para compra de títulos públicos brasileiros", disse o executivo de um grande banco estrangeiro.