| Fonte: Valor Econômico |
| Autor: Diego Viana |
Apesar de períodos de desconfiança mútua e disputas na política como no futebol, a relação bilateral entre Argentina e Brasil entra no século XXI como uma parceria fundamental para ambos. A história da parceria fundada sobre o antagonismo é o tema de "Argentina, Brasil: de Rivales a Aliados", de Mario Rapoport e Eduardo Madrid, lançado no país vizinho pela editora Capital Intelectual. Contando quase metade da população do subcontinente, Brasil e Argentina passaram por regimes autoritários, populistas e democráticos e realizaram uma industrialização liderada pelo Estado, mas entremeada por períodos livre-cambistas. Enfrentaram crises de dívida externa e de hiperinflação e mudaram o nome de suas moedas mais de uma vez. Desde os anos 1990, os dois países formam a "coluna vertebral" da economia sul-americana, segundo o economista Mario Rapoport, que falou ao Valor por telefone de sua casa em Buenos Aires. Apesar das dificuldades, diz o professor da Universidade de Buenos Aires, o Mercosul é uma realidade incontornável e a proposta da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) será o caminho de inserção do continente na economia mundial. Leia a seguir os principais trechos da entrevista. Valor: O livro indica que mesmo quando as relações entre Brasil e Argentina eram marcadas pela rivalidade, a aproximação bilateral já ia de vento em popa. Mario Rapoport: É preciso frisar que há uma forte complementaridade econômica entre os dois países. Essa complementaridade explica por que o Mercosul conseguiu ser construído e encontrasse um certo êxito. Argentina e Brasil formam a coluna vertebral da economia sul-americana. São os maiores territórios, as maiores populações e as maiores economias, chegando da Terra do Fogo à Amazônia. A união dos dois países é estrategicamente imprescindível. Valor: Historicamente, como se deu essa união? |
terça-feira, 3 de abril de 2012
Brasil e Argentina, coluna vertebral sul-americana
Economia sustentável divide OCDE e emergentes
| Fonte: Valor Econômico |
A OCDE reuniu ministros de meio ambiente para definir a mensagem a levar ao Rio e convidou alguns países emergentes - Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia - para a discussão. No fim, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia. A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes - Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia - para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento. A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de "economia verde", que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil. Para vários ministros, instrumentos econômicos - taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente - são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara. |
IOF afeta estratégia de butiques
| Fonte: Valor Econômico Autora: Carolina Oms |
A extensão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% aos empréstimos externos com prazo de até cinco anos não obrigará somente o setor produtivo a mudar sua estratégia para captar dinheiro no exterior. As emissões de até cinco anos constituem uma parte importante das captações intermediadas por pequenas casas no exterior. Sem a estrutura e o poder de fogo dos grandes bancos, assessorias financeiras independentes investem em estratégias diferenciadas e um contato mais próximo com as empresas para abocanhar uma parte desse competitivo mercado. Uma delas é o foco em operações de volume menor, realizadas por empresas de risco um pouco mais alto e com prazos mais curtos. Entre as dez emissões externas captadas com a assessoria de butiques em 2011, metade possuía prazo inferior a cinco anos. Por terem prazos mais curtos, os volumes dessas captações são menores. De um total de US$ 1,307 bilhão de captados no ano passado, US$ 445 milhões venciam em até cinco anos. Esse número é particularmente significativo para a gestora Queluz, que entre 2005 e 2011 realizou 23 emissões externas de até US$ 10 milhões e com prazos de no máximo três anos. A captação de valores bem menores que a média do mercado de bônus só se tornou possível com a criação de um programa iniciado em 2005, mas que se tornou inviável agora graças ao IOF. |
Com cotas definidas para 12 meses, acordo automotivo com o México entra em vigor
| Fonte: Valor Econômico Autor: João Villaverde |
O novo acordo automotivo entre Brasil e México entra em vigor hoje - para o lado brasileiro. O governo edita hoje no "Diário Oficial da União" as cotas de exportações, em valor, que as montadoras instaladas no Brasil poderão fazer ao México nos próximos 12 meses. Pelo acordo, cada país determina como cumprirá sua parte, e, segundo fontes do governo brasileiro, os mexicanos devem fazer procedimento semelhante nos próximos dias. Ao todo, as montadoras com fábricas no Brasil poderão exportar ao México até US$ 1,45 bilhão entre hoje e março de 2013. O governo avalia que as cotas vão estimular fortemente as exportações de veículos brasileiros. As cotas que devem ser publicadas hoje por meio de portaria da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, determinam quanto cada montadora poderá exportar neste período aos mexicanos. No topo da fila estão Volkswagen, Ford e Renault, que levarão vantagem graças ao principal critério para elaboração das cotas de exportação. |
Brasil ameaça, Madri negocia
| Fonte: Correio Braziliense |
| Autora: Larissa Garcia |
O embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de la Cámara, confirmou a possibilidade de um acerto. Ele afirmou que o objetivo é diminuir as exigências para a entrada de turistas em ambos os países. De acordo com o diplomata, os dois governos são "muito amigos" e o sucesso das negociações beneficiaria a ambos os lados, já que o Brasil passa por um bom momento econômico e a Espanha vive uma dura crise. O Itamaraty e a Polícia Federal não tinham, até o início da noite, um balanço de quantos turistas foram barrados no primeiro dia das novas medidas. Atualmente, mais de 60 mil espanhóis vivem no Brasil. No ano passado, de cada cinco estrangeiros barrados na Espanha, um era brasileiro. Nos quatro anos de vigência das regras exigidas pelas autoridades espanholas, mais de 10 mil brasileiros tiveram a entrada negada, dos quais 1,4 mil apenas em 2011. |
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Câmara mantem navegação marítima utilizando gasolina rica em enxofre
Fonte: Agência Câmara
Como foi rejeitado nas duas comissões de mérito em que tramitou, o projeto será arquivado, a menos que haja recurso de 52 deputados para que seja votado pelo Plenário.
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável rejeitou na quarta-feira (28) o Projeto de Lei 7006/10, do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), que proíbe o trânsito, nas águas territoriais e nos portos brasileiros, de embarcação que utilize combustível com mais de mil partes por milhão de enxofre.
De acordo com o relator, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), 90% do combustível marítimo consumido no mundo “são do tipo residual”, com maior porcentual de enxofre. Segundo diz, isso ocorre porque custa cerca de 50% menos que o combustível de tipo “destilado”, mais limpo.
Impactos
Cherini argumenta que, caso fosse transformada em lei, a medida teria como impactos econômicos a necessidade de importação do combustível destilado e a perda de competitividade no transporte marítimo em razão da elevação dos fretes. “Enfim, para que o setor se desenvolva, é fundamental que nele sejam praticados padrões e requisitos internacionais uniformes”, afirma.
O deputado sustenta ainda que está em elaboração um documento que trata do controle de emissões provocadas por navios, que irá reger as normas para controle dessas emissões. Segundo defende, “sendo o Brasil signatário desses acordos internacionais, é certo que seguirá as orientações deles decorrentes”.
Tramitação
Como foi rejeitado nas duas comissões de mérito em que tramitou, o projeto será arquivado, a menos que haja recurso de 52 deputados para que seja votado pelo Plenário.
Íntegra da proposta:
Reportagem – Maria Neves
Edição – Marcelo Westphalem
Edição – Marcelo Westphalem
Grupo de 40 países denuncia Argentina na OMC
| Fonte: Valor Econômico |
| Autor: Assis Moreira |
A Argentina está perto de ser denunciada na Organização Mundial de Comércio (OMC) por uma coalizão sem precedentes de 40 países desenvolvidos e emergentes, sob acusação de comércio administrado por programas que afetariam as regras internacionais. EUA, União Europeia (27 países), México, Austrália, Japão, Coreia, Taiwan, Tailândia, Turquia, Israel, Nova Zelândia, Noruega, Suíça e Panamá sinalizaram uma batalha comercial contra a Argentina, em comunicado que divulgaram no Comitê de Bens da entidade, na sexta-feira. Também levantaram a voz China, segundo maior parceiro comercial da Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Cingapura, Malásia e Hong Kong. Para o embaixador dos EUA, Michael Punke, a mensagem mostra a "seriedade com que esse amplo grupo de membros da OMC vê as restrições à importação na Argentina e pede que sejam eliminadas" as crescentes exigências de licença não automática de importações, pré-registro e autorização prévia, que "causariam enormes custos" para os parceiros. A coalizão alega que desde 2008 a Argentina vem expandindo a lista sujeita a licença de importação não automática, que retarda enormemente a entrada dos produtos, afetando agora também a importação de computadores portáteis, eletrodomésticos, ar condicionado, tratores, máquinas e equipamentos, carros e autopeças, plásticos, químicos, pneus, brinquedos, têxteis e vestuário, malas, bicicletas e produtos de papel. |
Começam a faltar produtos na Argentina
| Autor(es): César Felício | De Buenos Aires |
| Valor Econômico - 02/04/2012 |
A onda de frio nos últimos dias em Buenos Aires, com temperaturas de sete graus já em março, aumentou o descompasso entre o que se vê em algumas vitrines e o que se observa nas calçadas da cidade. Enquanto os pedestres passam agasalhados, os manequins ainda ostentam roupas leves, de verão. "Todas as coleções estão atrasadas", disse uma lojista que não se identificou, na avenida Las Heras, região norte da cidade. De modo sutil, os sinais de desabastecimento na capital argentina vão se mostrando depois da criação de uma série de barreiras comerciais pelo governo com praticamente uma novidade por semana: a desta sexta-feira foi a introdução de um controle fotográfico nos contêineres, para verificar se a carga retida condiz com as declarações de antecipação das importações, mecanismo criado em 1º de fevereiro que barrou cerca de 30% das compras do país. Segundo o diretor de relações institucionais da Câmara de Importadores da Argentina (Cira), Miguel Ponce, das 164 mil declarações apresentadas desde 1º de fevereiro, 51 mil ainda não foram liberadas. A barreira motivou a apresentação de um documento no comitê de bens da Organização Mundial de Comércio (OMC) por parte da União Europeia, dos Estados Unidos e de outros 14 países. As barreiras afetam também a indústria nacional: no caso do vestuário, por exemplo, a confecção é feita com tecido importado, que está retido. Mas o desabastecimento é mais grave nos itens que já estavam com problemas de importação antes da criação das mais recentes barreiras. "Entre 2008 e 2011, aumentou muito a quantidade de produtos colocados no regime de licenças não automáticas. Quando a área de comércio exterior saiu do Ministério da Indústria para uma secretaria própria na órbita do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, havia uma herança de licenças vencidas e não renovadas. O resultado é que temos encomendas barradas desde agosto", disse Ponce. |
MÚLTIS PROMOVEM O BRASIL NA REDE GLOBAL DA INOVAÇÃO
| Fonte: Valor Econômico |
| Autor: Moacir Drska |
As grandes companhias de tecnologia da informação e comunicação estão desenvolvendo no Brasil sistemas e produtos que são usados e vendidos globalmente. O software para impressão a distância da Hewlett-Packard, o sistema de prevenção de enchentes da IBM e o programa de monitoramento de caixas eletrônicos da americana Diebold são exemplos de bens e serviços com DNA brasileiro. "Fomos promovidos de liga", brinca Paulo Iudicibus, diretor de novas tecnologias e inovação da Microsoft
Grande parte da carreira do pesquisador brasileiro Ulisses Mello foi construída nas cadeiras de universidades no exterior e no laboratório da IBM em Nova York, onde se concentram as principais pesquisas da companhia no mundo. Agora, quase duas décadas depois, ele está de volta ao país. Na bagagem, além da experiência internacional, Mello traz um desafio: liderar o Centro de Soluções para Recursos Naturais da IBM, parte do laboratório recém-inaugurado pela "Big Blue" no país e o primeiro da companhia no hemisfério sul. "É parte da minha missão direcionar as pesquisas para que elas tenham impacto local, mas possam ser usadas globalmente", diz.
Mais que um caso pontual, o exemplo de Mello expressa uma nova tendência entre as grandes companhias de tecnologia da informação e comunicação (TIC): a de desenvolver, no Brasil, sistemas e produtos que possam ser adotados e vendidos em qualquer parte do mundo. Os exemplos incluem um software para impressão à distância da Hewlett-Packard (HP), um sistema de prevenção de enchentes da IBM e um programa de monitoramento de caixas eletrônicos da Diebold - todos com DNA brasileiro. "Fomos promovidos de liga", brinca Paulo Iudicibus, diretor de novas tecnologias e inovação da Microsoft, que também está reforçando os investimentos em pesquisa no país.
É difícil saber qual o volume total de recursos aplicado no Brasil porque boa parte dos valores é mantida em sigilo pelas empresas. Entre 13 grandes companhias selecionadas pelo Valor, todas com atividades de pesquisa no Brasil, os aportes variam de R$ 35 milhões a R$ 3 bilhões, dependendo do intervalo de tempo do investimento. A americana EMC, por exemplo, anunciou no fim do ano passado um aporte de US$ 100 milhões em cinco anos para construir um centro de pesquisa no Brasil.
Mesmo sem um valor total do setor, há outros indicadores que tornam evidente a atenção despertada pelo país. É o caso do número de pesquisadores contratados. Somados, os times próprios e os profissionais de universidades envolvidos nos projetos das 13 companhias consultadas chegam a 2,7 mil pessoas.
|
Maior rigor para turistas espanhóis começa hoje
Fonte: O Estado de S. Paulo
|
Autora: Karla Mendes
|
Entre outras medidas, turista terá de apresentar carta-convite; País nega que seja uma retaliação por brasileiros barrados na Espanha
Começam a valer hoje as novas exigências para a entrada de espanhóis no Brasil, que estão sendo mal recebidas na Espanha. Para muitos, as medidas são retaliação em relação aos brasileiros barrados no país na chamada "crise diplomática" de 2008. O primeiro efeito dessa atitude deverá ser a queda no número de turistas espanhóis, preveem agentes de viagens.
O governo brasileiro alega que as medidas seguem o princípio da reciprocidade, ou seja, que o País cobrará as mesmas regras que a Espanha exige dos brasileiros que viajam para lá. Mas essa hipótese é rechaçada por muitos espanhóis. "No fundo, vai ser uma espécie de vingança. E as exigências que a Espanha faz são uma imposição da União Europeia, sobretudo da Alemanha", afirma Rafael Gallego Nadal, presidente da Federação Espanhola de Agências de Viagens (Feaav).
O maior problema, segundo Vicente Blasco, presidente da Associação Empresarial de Agências de Viagens Espanholas (Aedave), é a exigência de apresentação de uma carta-convite se o turista vai ficar na casa de algum conhecido no Brasil - exigência que a Espanha já faz para os brasileiros há algum tempo.
"Quando a viagem é de negócios ou se a pessoa vai ficar em hotel, não tem problema. Para os turistas que vão ficar na casa de algum amigo lá é que é mais complicado", destacou.
|
Nova liderança para o Banco Mundial
| Fonte: Valor Econômico |
| Autor: Jeffrey D. Sachs |
Obama mostrou genuína liderança com a indicação. Ele colocou o desenvolvimento na dianteira, dizendo explicitamente: "É hora de um profissional em desenvolvimento comandar a maior agência de desenvolvimento do mundo". A indicação de Kim é um grande avanço para o Banco Mundial, que também espero ver estendido a outras instituições internacionais. Até agora, os EUA haviam recebido uma espécie de carta branca para indicar qualquer um que desejassem para a presidência do Banco Mundial. Foi assim que o comando do Banco Mundial acabou em mãos inadequadas, que não tinham o conhecimento necessário para liderar o combate à pobreza. Para quebrar essa tradição e ressaltar a importância crucial de escolher um líder em desenvolvimento para o comando do Banco Mundial, eu mesmo entrei na campanha e fiquei honrado pelo apoio que recebi publicamente de uma dúzia de países e de muitos outros, reservadamente. A indicação de Kim foi uma vitória para todos e tive prazer em retirar minha candidatura para apoiá-lo. |
Aposta em mudança de regras atrai investimento privado
| Fonte: Valor Econômico |
O que faria um modelo mal-sucedido de política pública atrair empresários do setor privado bem-sucedidos em seus negócios? Essa é a pergunta óbvia para o caso dos quatro sócios da única Zona de Processamento de Exportação (ZPE) privada do Brasil. Uma aposta na desburocratização do marco regulatório das ZPEs uniu Germano Pereira e Silva, dono da AS Pontes Construtora, Eduardo Peralta, do Grupo Peralta (da área de hipermercados e shoppings), Vitor Brás Pimenta, da Brascase (fornecedora de BR Foods e Seara), e Roberto Giannetti da Fonseca, empresário e diretor de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Liderados por Pereira e Silva, sócio majoritário, os empresários adquiriram o terreno da ZPE em Bataguassu, no sul do Mato Grosso do Sul, em agosto de 2010. O então proprietário, Ulisses Numman, vendeu parte do terreno de 400 hectares e trocou o restante por uma participação na empreitada. "Fizemos uma aposta, que começou a fazer sentido no ano passado, quando o governo passou a ver as ZPEs como alternativa viável, não só para a diversificação industrial, como também para estimular a exportação de manufaturados", afirma Pereira e Silva. O período coincidiu com a definição, por parte do governo, de acelerar o início de operação das seis ZPEs com potencial de sair do papel - Bataguassu é uma das seis incluídas na estratégia do governo. |
Proteção à indústria deve ter limites
| Fonte: Valor Econômico |
| Autor: Gustavo Loyola |
Em seu último comparecimento ao Senado Federal, o ministro Guido Mantega listou a queda da taxa Selic entre as chamadas "medidas de defesa cambial" adotadas pelo governo para salvaguardar a indústria manufatureira nacional. Parece não haver melhor evidência do que esta para indicar que a política de juros não mais objetiva exclusivamente o controle da inflação, o que seria de se esperar em um país que pratica o regime de metas para inflação. No Brasil, pelo que se depreende da apresentação do ministro Mantega, na fixação dos juros, o Copom também visaria evitar a sobrevalorização da moeda brasileira e prejuízos a nossa indústria. Há sérios riscos nessa estratégia, caso ela de fato prevaleça. Ao desviar o uso do principal instrumento de política monetária para outros fins que não o da estabilidade de preços, o governo aumenta o risco da criação de desequilíbrios internos que levariam à aceleração da inflação e ao não cumprimento da meta nos próximos anos. Além disso, o Banco Central passa a depender mais fortemente do apelo a outros instrumentos para integrar o cardápio da política monetária, em um contexto no qual a taxa de juros serve a vários fins ao mesmo tempo, o que acaba por trazer distorções adicionais ao mercado de crédito, sem obter-se plenamente a mesma eficácia no controle da demanda agregada. As preocupações com a indústria, por mais legítimas que sejam, não podem ser atendidas com políticas que prejudicam a estabilidade macroeconômica. Este fato é tão óbvio que deveria dissuadir o governo do emprego da política cambial e da política de juros como instrumentos de estímulo ao setor manufatureiro nacional. Porém, o que se vê nos últimos meses é certa relativização da importância do equilíbrio macroeconômico, em favor da necessidade urgente de defesa da produção doméstica contra as várias "guerras" externas, imaginárias ou reais. |
domingo, 1 de abril de 2012
Resistência a medidas de austeridade começa a agitar Europa
Fonte: Reuters
Autores: Barry Moody e Fiona Ortiz
Autores: Barry Moody e Fiona Ortiz
A maioria da
população no sul da Europa vem se mantendo surpreendentemente calma até agora
diante dos cortes mais dolorosos em orçamentos governamentais de que se tem
memória, mas estão aumentando os sinais de que a paciência pode acabar em
breve.
Uma inesperada greve geral na Espanha, na quinta-feira, e a crescente
oposição ao primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, são alguns dos indícios de
que a resistência está ganhando força em uma região que é o centro das
preocupações sobre a retomada da crise da dívida na zona do euro.
Portugal permanece bastante tranquilo no momento e mesmo a Grécia, palco de
repetidos protestos violentos nas ruas, se acalmou recentemente. Mas há sinais
de que os líderes políticos estarão logo na linha de tiro por toda a Europa,
especialmente se for necessário efetuar mais cortes para reduzir a dívida
soberana.
A atmosfera parece ser uma combinação de duas tendências opostas - aceitação
da mensagem de que cortes profundos são o único meio de salvar seus países da
catástrofe econômica e um sentimento crescente de que um sofrimento maior não
poderá ser suportado por populações já arcando com privação e miséria.
EUA e UE criticam barreiras comerciais argentinas na OMC
Fonte: Veja
A Argentina sofreu fortes críticas nesta sexta-feira na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde Estados Unidos, União Europeia, Japão e dez outros países acusaram-na de adotar regras burocráticas para tentar impedir importações.
O governo de centro-esquerda argentino tem adotado diversas restrições a compras externas nos últimos anos, na tentativa de blindar a indústria local e proteger seu superávit econômico, que em 2011 encolheu 11%, para 10,4 bilhões de dólares. Em fevereiro, a presidente Cristina Kirchner adotou um novo sistema para pré-aprovar (ou rejeitar) praticamente todas as compras do exterior.
"Parece que esse novo sistema está operando na prática como um esquema de restrições a importações sobre todos os produtos", disse o embaixador norte-americano junto à OMC, Michael Punke, segundo transcrição entregue por um dos participantes.
Os críticos descrevem a política argentina como "incompatível com um membro da OMC" e "particularmente perturbadora" por limitar perspectivas favoráveis de crescimento para o comércio. Eles exigiram que o país tome medidas imediatas para revogar essas políticas, sob pena de sofrer processos na OMC.
A Argentina também tem pressionado os importadores a realizarem exportações para compensarem a compra de produtos estrangeiros. Isso leva a contratos estranhos, como a montadora BMW exportar arroz, por exemplo. "Muitas empresas relatam ter recebido telefonemas de autoridades do governo argentino em que são informadas de que precisam aceitar determinados compromissos de equilíbrio da balança comercial antes de receberem autorização para importarem produtos", disse Punke no comunicado conjunto entregue à OMC.
Segundo a pauta da reunião, a declaração foi apoiada por Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Costa Rica, Israel, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Suíça, Tailândia, Taiwan, e Turquia, além de EUA e UE.
O governo argentino diz que suas políticas comerciais são necessárias para preservar o nível de emprego o país. "Essa é uma política que ajuda todos os argentinos. Quando tomamos cuidado com certos produtos cruzando a fronteira, é porque estamos cuidando dos empregos", disse o vice-presidente Amado Boudou.
Há menos de uma semana, Washington anunciou a suspensão de benefícios comerciais à Argentina em retaliação ao fato de Buenos Aires ter deixado de pagar indenizações em duas disputas envolvendo investidores dos EUA. Isso foi visto como parte de um esforço mais amplo para pressionar o governo de Cristina Kirchner a pagar suas dívidas e outras obrigações, uma década depois de ter protagonizado a maior moratória da história.
Um diplomata argentino familiarizado com a situação disse que a queixa ao Conselho para o Comércio de Produtos da OMC foi uma medida excepcional por parte dos EUA e da União Europeia. "Não me lembro de jamais ter visto algo assim na OMC. É um procedimento muito excepcional", disse o diplomata, pedindo anonimato.
(com Reuters)
Assinar:
Postagens (Atom)
