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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Crise vai deixar economia verde em segundo plano

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Daniel Rittner

A crise global impede os países ricos de colocar preocupações ambientais no topo de sua agenda política, dificultando a transição para uma economia verde. "Na Europa ou nos Estados Unidos, as pessoas estão preocupadas mesmo com o colapso financeiro e com a transferência de empregos para a Ásia", disse o consultor em políticas ambientais Thomas Heller, professor da Universidade de Stanford e diretor da Climate Policy Initiative.

Para o economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade de Columbia, só a mobilização da sociedade civil poderá convencer os governos a costurar ações mais firmes contra as mudanças climáticas. "Eu tenho certeza de que o presidente [Barack] Obama está preocupado, mas ele não dará uma palavra sobre isso nos próximos meses, porque seus consultores políticos vão lhe dizer para calar-se", afirmou Sachs, referindo-se à corrida eleitoral à Casa Branca. Ele lembrou um dos documentos firmados na Rio92 para exemplificar por que o governo americano dedica pouca atenção às discussões da Rio+20. "Somos 300 milhões de americanos, mas dificilmente chega a 1 milhão o número de pessoas que sabem o que é a Convenção da Biodiversidade."

Heller e Sachs participaram ontem de uma mesa-redonda na Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, no Rio, ao lado de brasileiros como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan. Apesar de terem destacado o senso de urgência no combate às mudanças climáticas, nenhum deles mencionou os termos "estilo de vida" ou "redução do consumo" - nem outra expressão parecida - nas três horas de debates, como certamente gostariam de ter ouvido muitos ambientalistas.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Financiar a economia verde é desafio

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Fernando Exman
Bancos de fomento de todo o mundo aproveitaram ontem a realização da Rio+20 para discutir formas de aumentar a oferta de crédito a projetos verdes. O desafio é grande. Além de mobilizar investidores privados, os bancos de desenvolvimento precisam lidar com diretrizes governamentais que muitas vezes privilegiam o crescimento econômico e a promoção do consumo de combustíveis fósseis, em vez da sustentabilidade dos empreendimentos.

A reunião dos bancos ocorreu em meio a protestos de movimentos sociais e ONGs contra a construção de alguns dos grandes projetos de infraestrutura que recebem seus financiamentos e às negociações multilaterais sobre desenvolvimento sustentável.

Ontem, um dado divulgado pelo International Development Finance Club demonstrou que o esforço é de longo prazo. Em 2011, os 19 integrantes do IDFC aprovaram a liberação de US$ 89 bilhões em linhas de "financiamento verde", cerca de 20% do total observado no período. A expectativa do IDFC é que tal cifra seja revisada para cima na reunião do grupo que está agendada para o fim do ano e será realizada em Tóquio, pois os bancos ainda não definiram uma metodologia única que determine o que é "financiamento verde". E, mesmo sem fixar metas, o grupo integrado por instituições latino-americanas, europeias, asiáticas e africanas informou que pretende aumentar nos próximos anos a oferta de linhas de crédito voltadas à chamada economia verde.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cúpula dos Povos vai combater economia verde


Fonte: O Globo
Autora: Flávia Milhorance
Grupo diz que modelo permite crescimento econômico infinito e também critica falta de consenso nas negociações

Representantes da Cúpula dos Povos apresentaram ontem uma carta aos negociadores da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), criticando a chamada economia verde e a falta de avanços nas discussões pré-conferência. No texto, eles afirmam que "não se está discutindo um balanço do cumprimento dos acordos alcançados na Rio 92 ou como mudar as causas da crise internacional".

A Cúpula se manifestou oficialmente contra a implementação da economia verde, um dos pilares da Rio+20. De acordo com o grupo, esse modelo econômico não diminui o extrativismo de combustíveis fósseis, nem altera os atuais padrões de consumo e de produção industrial. Eles afirmam que o modelo alimenta "o mito de que é possível o crescimento econômico infinito".

Foi assim que terminou ontem a última reunião do grupo de articulação da Cúpula dos Povos, evento que ocorrerá entre 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, paralelamente à Rio+20. No local, são esperadas 30 mil pessoas por dia. Marchas também devem tomar conta do espaço.

Os representantes dos movimentos criticaram medidas que estão na pauta das discussões ambientais, como o mercado de carbono, de serviços ambientais, de compensações por biodiversidade e o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento Evitado e Degradação Florestal (REDD+). Também afirmaram que lutarão contra os transgênicos, os agrotóxicos, os agrocombustíveis, a nanotecnologia, a biologia sintética, a vida artificial, a geoengenharia e a energia nuclear.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Economia sustentável divide OCDE e emergentes

Fonte: Valor Econômico
A divergência entre dar prioridade ao crescimento econômico ou à proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países desenvolvidos e emergentes que deverá persistir na conferência Rio+20, em junho, no Brasil.
A OCDE reuniu ministros de meio ambiente para definir a mensagem a levar ao Rio e convidou alguns países emergentes - Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia - para a discussão. No fim, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia.
A divergência entre priorizar crescimento econômico ou proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países ricos e emergentes que deve ter continuidade na conferência Rio+20, em junho, no Rio.

A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes - Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia - para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento.

A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de "economia verde", que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil.

Para vários ministros, instrumentos econômicos - taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente - são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Em reunião com comissária da UE para o Clima, Patriota defende associação da economia verde com inclusão social

Fonte: Agência Brasil
Autora: Renata Giraldi

Ao reunir-se hoje (28) com a comissária da União Europeia para o Clima, Connie Hedegaard, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, ressaltou que é fundamental associar as propostas relativas à economia verde no mundo com as ações para a erradicação da fome e da pobreza que geram empregos. Patriota e Connie Hedegaard conversaram por cerca de uma hora, no Itamaraty.

De acordo com diplomatas que acompanharam a reunião, Patriota defendeu que a União Europeia (UE) amplie as negociações que se destinam a obrigar que as empresas estrangeiras – em atuação na Europa – reduzam as emissões de gases causadores de efeito estufa. Por enquanto, o diálogo tem sido travado bilateralmente. Para o Brasil, é fundamental ampliá-lo, tornando-o multilateral.

O chanceler lembrou que o Brasil é favorável à redução das emissões de gás e que várias empresas brasileiras já adotam medidas nesse sentido. Ele disse ainda que outras empresas têm intenção de seguir o exemplo. O assunto está em debate também na Organização da Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês), com sede em Montreal, no Canadá.