quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Norma regulamenta importação de maracujá do Equador

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento


Os requisitos fitossanitários para a importação de maracujá produzido no Equador foram aprovados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os critérios foram definidos após o resultado da Análise de Risco de Pragas e estão descritos na Instrução Normativa nº 47, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 21 de dezembro.

Segundo a regra, as partidas deverão estar livres de material de solo e resíduos vegetais, como restos de folhas, caules, pedúnculos e gavinhas. É obrigatório o acompanhamento de Certificado Fitossanitário (CF) emitido pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF) do Equador.

Neste documento deverá constar a declaração de que o envio não apresenta o inseto Copitarsia consueta ou que foi tratado (especificar produto, dose ou concentração; data de aplicação; temperatura e tempo de exposição) para o controle do mesmo, sob supervisão oficial.

Os frutos serão inspecionados no ponto de ingresso e, em caso de interceptação de pragas quarentenárias, a ONPF do Equador será notificada e o Brasil poderá suspender as importações de maracujá do Equador até a revisão da Análise de Risco de Pragas. O país de origem deverá comunicar à ONPF brasileira qualquer ocorrência de nova espécie nociva naquele território.

OMPI alerta sobre custo de patentes

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Assis Moreira

Os pedidos de proteção de patentes no Brasil cresceram apenas 3,4% no ano passado, metade da expansão global, que foi de 7,2%, e um aumento muito menor do que os 24,5% de alta na China, de acordo com levantamento final divulgado ontem pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Para 2011 e 2012, a expectativa é de que, globalmente, empresas e centros de pesquisas vão aumentar as demandas de registro de patentes, refletindo maior inovação e globalização da economia.

Mas o diretor-geral da OMPI, Francis Gurry, alertou que o encarecimento no registro de patentes e marcas traz o desafio para as pequenas e médias empresas conseguirem proteger suas inovações em uma economia cada vez mais global. Gurry fez o comentário depois de ser indagado sobre o anúncio, no Brasil, de alta nas taxas de registro de patentes e marcas, que poderão subir até 400% a partir de janeiro. Sem querer abordar diretamente a situação brasileira, o diretor da OMPI observou que desde 1990 a entidade global não aumenta as taxas para registro de patente internacional, mas que vários países elevaram as cobranças.

Ele reiterou também que seria "muito menos caro" para as empresas brasileiras protegerem suas marcas globalmente se o Brasil aderisse, enfim, ao Protocolo de Madri. Por esse tratado internacional, que entrou em vigor em 1996, uma empresa não precisa mais registrar sua marca em cada um dos países para onde exporta, contando assim com um registro único e válido em diversos países, desde que esses tenham aderido ao protocolo. Conforme a OMPI, para registrar apenas uma marca hoje em 55 países, uma empresa brasileira gasta cerca de US$ 100 mil. Se o país aderir ao Protocolo de Madri, o custo para realizar a mesma proteção cairia para US$ 7,5 mil.

Argentina amplia políticas protecionistas

Fonte: Valor Econômico
Autor: Taos Turner

As políticas de substituição de importações do governo argentino estão tornando o país um dos mais protecionistas do mundo.

Em essência, as políticas incentivam a substituição de produtos importados por locais, promovendo assim o desenvolvimento da indústria nacional e reduzindo o gasto com importação. A presidente Cristina Kirchner defende essas medidas como uma forma de criar e proteger empregos locais.

As políticas já causaram proibições temporárias da importação de queijo francês, iPhones, computadores da Apple, carros da BMW e até bonecas Barbie. O governo barrou recentemente um milhão de livros na alfândega para forçar as empresas a imprimir as obras localmente, dizem pessoas a par do assunto.

A Argentina bloqueia ou atrasa frequentemente importações para impulsionar seu superávit comercial e forçar as multinacionais a produzir localmente. A União Europeia reclamou no mês passado que a Argentina estava limitando a importação de cerca de 600 produtos, segundo um relatório da Organização Mundial do Comércio. As autoridades comerciais argentinas não quiseram comentar a questão.

Depois de o governo proibir a importação de smartphones BlackBerry, a Research In Motion Ltd. informou em julho que vai se associar à Brightstar Corp. para montar seus aparelhos na remota região argentina da Província de Tierra del Fuego. A RIM não quis comentar e a Apple Inc. não respondeu a pedidos para uma entrevista sobre o assunto.

"As empresas não estão se queixando muito disso porque a economia está crescendo e elas ainda estão faturando", disse uma autoridade comercial estrangeira.

Mercosul aprova elevação tarifária temporária

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Os representantes do Conselho do Mercado Comum do Mercosul decidiram, em reunião ordinária, que precedeu o encontro presidencial realizado nesta terça-feira (20/12), em Montevidéu, no Uruguai, implementar um mecanismo que irá permitir que os países membros do bloco econômico possam aumentar, temporariamente, as alíquotas do Imposto de Importação.

Esse mecanismo será um instrumento paralelo à já existente Lista de Exceção à Tarifa Externa Comum (Letec), com a diferença que, na Letec, é possível elevar ou reduzir as alíquotas (atualmente, dos cem itens que compõem a lista brasileira, 65 reduzem o Imposto de Importação e 35 aumentam). 

Cada país poderá elencar cem novos códigos tarifários da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que não estejam na Letec, neste mecanismo, para elevar as alíquotas previstas na Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para produtos importados de países do extrabloco. Para a elevação tarifária, serão, obviamente, respeitados os tetos compromissados na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Lacerda Prazeres, explica que “o novo mecanismo consiste em um instrumento estratégico para que os países do Mercosul possam lidar com a crise internacional, permitindo fazer melhor uso da margem de manobra para definição do Imposto de Importação”. A ação já estava prevista no Plano Brasil Maior, com o compromisso do governo brasileiro de pleitear a adoção da medida junto aos demais países membros do Mercosul.

Pelo mecanismo aprovado, cada país do bloco econômico deverá enviar formulário para a adoção da medida à Secretaria do Mercosul. Os demais países do bloco terão 15 dias úteis para se manifestar contrariamente. Caso não o façam, o país poderá adotar a medida de forma imediata.

No formulário, o país deverá informar aumento significativo das importações originárias de países do extrabloco e ainda o dano causado à produção interna. A medida será aplicada por até 12 meses, podendo ser prorrogada por igual período, desde que sejam mantidas as circunstâncias que motivaram a medida. Quando da prorrogação, os demais países poderão novamente se manifestar contrariamente em 15 dias úteis.

(Sem grifos no original)

Pimentel recebe projeto de ZPE em Rondônia

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, recebeu hoje o projeto de instalação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Rondônia. Entregue pelo senador Valdir Raupp e pelo secretário estadual de Indústria e Comércio, Edson Luiz Vicente, a proposta prevê a instalação de um polo industrial numa área de 150 hectares, a 20 quilômetros do centro da capital, Porto Velho.

A legislação que rege as ZPEs é federal, mas compete aos governos estaduais e prefeituras apresentarem os projetos de implantação. Agora, o Conselho Nacional das ZPEs, presidido pelo ministro Pimentel, vai avaliar a proposta. A criação e regulamentação das ZPEs foram feitas por lei federal, nos anos 1980, mas sua instalação depende de propostas dos governos estaduais ou das prefeituras onde o polo industrial venha a ser instalado.

As ZPEs são áreas de livre comércio de importação e de exportação, destinadas à instalação de empresas voltadas para a produção de bens a serem comercializados no exterior. Para terem acesso aos benefícios fiscais, essas empresas têm de exportar 80% de sua produção. A importação de insumos e bens de capital sem similar nacional para a fabricação do que for exportado também fica isenta de Imposto de Importação, IPI e PIS/Cofins.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O futuro do comércio internacional

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo afirma que a 8ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio foi "um fiasco", e que as práticas unilaterais protecionistas dos Estados membros devem aumentar o número de conflitos dentro da OMC.

Infelizmente, torna-se tendência a proteção do mercado interno, rompendo com décadas de evolução do sistema comercial mundial. Apesar das críticas ao sistema aberto que o Brasil vinha adotando, são notórias as conquistas brasileiras, sendo considerada a sétima economia  mundial no ano de 2010. Convém salientar que o protecionismo não é um ato isolado do Brasil, mas uma prática que vem sendo adotado por muitos Estados. Porém, sem dúvida alguma, o Brasil é um dos países que mais tem se fechado neste ano (2011).

O futuro do comércio internacional e da economia brasileira? Uma incógnita. Particularmente, caso se mantenham as práticas protecionistas, não sou das mais otimistas.


 O comércio e a lei da selva

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mais que um fiasco, a conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), no último fim de semana, foi um novo e estridente sinal de alerta. A atividade comercial foi o principal motor do crescimento econômico nas últimas quatro décadas e a expansão das trocas dependeu em grande parte da liberalização dos mercados. Mas a fase da abertura comercial e dos grandes acordos está encerrada e o vírus do protecionismo tende a se espalhar por todo o globo. As condições de concorrência se tornarão menos civilizadas e o atual sistema de regras será submetido a severos testes de resistência, se o salve-se quem puder superar todas as outras considerações. Dez anos depois de lançada a mais ampla negociação comercial de todos os tempos, a Rodada Doha, ninguém mais tenta disfarçar o fracasso dessa iniciativa. Foi a primeira concebida para ser uma Rodada do Desenvolvimento - seu outro nome - e deu em nada.

A grande negociação já estava emperrada em 2007, antes do agravamento da crise, mas ainda houve esforços para levá-la à conclusão. As dificuldades aumentaram nos anos seguintes, quando a recessão travou o comércio e os governos ficaram menos propensos a novas concessões. Além disso, a maior economia do mundo, a americana, passou a ser governada por um partido fortemente vinculado a interesses protecionistas. Alguns esforços ainda foram feitos para salvar compromissos alcançados na fase mais otimista da rodada, mas sem resultado.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, passou da coordenação das negociações a uma tarefa de pregação, alertando o mundo para as consequências de uma fragmentação do sistema global de comércio. A primeira ameaça ocorreu quando os governos, diante dos impasses da Rodada Doha, começaram a dar prioridade a acordos bilaterais e regionais, transformando as normas de comércio numa colcha de retalhos. O pior veio depois, quando a crise e o desemprego tornaram muito mais tentador o recurso às barreiras comerciais e aos incentivos causadores de distorções no funcionamento dos mercados.

A pregação de Lamy tem sido um esforço para mostrar o enorme perigo das políticas de restrição comercial adotadas nos últimos anos. Os sinais de isolacionismo lembram o cenário da década de 1930, alertou o diretor-geral da OMC. O seu discurso, assim como o da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, vem ganhando tons mais dramáticos enquanto se agrava a crise no mundo rico e aumenta o risco de uma recessão mais funda e mais duradoura que a de 2008-2009.


Angola assina amanhã contratos ‘definitivos’ de pré-sal

Fonte: O Estadão
Autor: Ricardo Gozzi
 
O governo de Angola assinará amanhã os acordos definitivos com companhias petrolíferas estrangeiras para a exploração de sua camada de pré-sal, informou hoje uma fonte na estatal angolana de petróleo Sonangol. "Eles vão assinar amanhã", numa cerimônia oficial, disse a fonte na Sonangol nesta segunda-feira.

Trata-se da primeira concessão relacionada às reservas angolanas de petróleo na camada de pré-sal, acumulada há milhões de anos sob o leito oceânico e que espelha as recentes descobertas no litoral do Brasil.

O governo de Angola informou em janeiro que os direitos de exploração haviam sido assegurados a companhias estrangeiras, entre elas a ConocoPhillips, a Cobalt International Energy, a Eni SpA, a British Petroleum, a Total e a Repsol YPF.

A fonte na Sonangol disse que o anúncio de janeiro era "preliminar" e estava sujeito a negociações, mas os contratos a serem assinados amanhã serão "definitivos".

As empresas mencionadas foram procuradas, mas recusaram-se a comentar o assunto ou não responderam aos pedidos para que manifestassem.

As informações são da Dow Jones.

A ciranda histórica da tragédia e da farsa

Fonte: Correio Braziliense
Autor: Lázaro Guimarães
Karl Marx inicia o 18 Brumário de Luiz Bonaparte lembrando Hegel, para quem os grandes fatos históricos e seus personagens se repetem. E acrescenta: "Primeiro como tragédia, depois como farsa". Mais adiante, afirma que a revolução do século 19 deveria deixar os mortos sepultarem seus mortos, para seguir em frente, pois, na anterior, de 1789-1793, a frase superava a substância, e na luta operária o conteúdo deveria superar a forma.

O ano de 2011 se encerra em meio a uma farsa político-financeira que repete as consequências da catástrofe de 11 de setembro de 2001. Dez anos separam a derrubada das torres gêmeas de Wall Street pelos terroristas da Al Qaeda do ultimato dado pela chanceler Ângela Merkel e pelo presidente Nicolas Sarkozy aos seus pares na União Europeia, exigindo absoluta austeridade econômica para preservar os interesses dos grandes conglomerados financeiros. Os efeitos da tragédia passada e do discurso atual são idênticos: falência em cascata, desemprego, recessão, expansão da pobreza e concentração da riqueza.

Além da elite dos operadores, poucos sabem o que significa dívida soberana, subprime, práticas extraorçamentárias, obrigações de Estado, notações, talvez nem mesmo os banqueiros que contratam os executivos incumbidos de girar a ciranda e promover a sua aceitação pelo grande público mediante encenações midiáticas globais. Tudo gira em torno de um mecanismo que combina a linguagem hermética com a explicação simplória, a primeira destinada a perpetuar na sombra os mecanismos de exploração e a segunda com a finalidade de enganar o público.

O final deste ano marca também o decênio de integração da China à Organização Mundial do Comércio e sua ascensão ao lugar de segunda potência econômica e maior detentora de títulos da dívida pública da primeira potência, os Estados Unidos da América. Capitalismo puro e capitalismo de Estado deram-se as mãos para dominar o mundo, enquanto a Europa definha junto dos anseios do regime de bem-estar social.

Mercosul deve ampliar lista de exceções à TEC

Fonte: Valor Econômico
Autor: Por Cesar Felício
Os presidentes dos países do Mercosul deverão anunciar hoje a ampliação da lista de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco, além da criação de um novo mecanismo que permitirá a aplicação da alíquota máxima da TEC a um número maior de produtos, desde que temporariamente. A mudança é defendida pelos governos da Argentina e do Brasil e a relação dos produtos agravados deverá ficar entre 100 e 200

Por pressão da Argentina, o Mercosul deverá ampliar hoje a lista de produtos que poderão ser alvo de medidas protecionistas. Além das listas de exceções já existentes, um outro mecanismo deverá ser criado, permitindo a aplicação da alíquota máxima da Tarifa Externa Comum (TEC) para uma nova série de produtos, desde que em caráter temporário. A lista de produtos agravados deverá chegar a 200, conforme proposta da Argentina. O Brasil, inicialmente, sugeriu uma lista menor, com cem itens.

"É uma medida de defesa comercial, em um momento em que estamos sendo invadidos pela competição estrangeira. Temos aqui países em condição fiscal sólida, que desenvolveram os seus mercados internos, mas que estão tendo esses mercados ocupados por países que precisam manter a sua produção", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Montevidéu, no Uruguai, ao sair da reunião de ministros da área econômica que antecede a cúpula dos presidentes dos países do bloco, que acontece hoje na capital uruguaia.

Segundo Mantega, a aplicação da alíquota de 35% poderá atingir, entre outros setores, os de bens de capitais, derivados químicos e produtos têxteis. A resolução que esta sendo negociada estabelece que os governos teriam liberdade para a elaborar a nova lista de produtos que terão alíquota aumentada, mediante um processo sumário de consulta com os demais países, ainda a ser definido.

Unctad vê risco de contração global e alerta emergentes

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Assis Moreira

A Agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) recomendou ontem que os países emergentes e em desenvolvimento preparem planos contra o "contágio contracionista" de politicas econômicas que vem sendo adotadas pelos países ricos.

Para a Unctad, os pacotes de austeridade fiscal dos países ricos estão criando uma "acumulação perigosa" de riscos para a economia mundial. A entidade condenou essa política, insistindo que o alvo deveria ser crescimento e não o combate a déficit público.

Este ano, a maioria dos países desenvolvidos suspendeu ou reverteu as politicas econômicas expansionistas que ajudaram a evitar uma crise global ainda maior depois da choque de 2008.

Agora, por causa da forte queda da demanda, vários países ricos estão à beira de uma nova recessão. E a Unctad se mostra surpresa com a insistência dos governos de concentrar os seus esforços no corte de déficit fiscal e em reduzir a divida pública interna, quando o desemprego bate recorde, os investimentos declinam, o setor financeiro está fragilizado e as famílias têm crescente dificuldades financeiras.

União Europeia dará US$ 195 bi para FMI

Fonte: Valor Econômico
Autor: Assis Moreira

Os países membros da União Europeia vão fornecer € 150 bilhões (US$ 195 bilhões) de recursos adicionais para o Fundo Monetário Internacional (FMI) reforçar sua capacidade de responder à crise na Europa e em outros países. A expectativa do anúncio deu a tônica das bolsas internacionais do dia, porém ele chegou tarde demais para impedir que fechassem em queda.

A decisão foi tomada ontem em reunião dos ministros de finanças da zona do euro, e o valor é inferior aos € 200 bilhões que haviam sido prometidos há duas semanas pelos líderes do bloco. A Grã-Bretanha, que não faz parte da moeda comum, resiste a ajudar no pacote e diz que só decidirá no ano que vem, no âmbito do G-20. Mas a República Tcheca, Dinamarca, Polônia e Suécia, também fora do euro, vão contribuir.

A União Europeia imediatamente chamou outros países de fora do euro para fazerem o mesmo, por meio de acordos bilaterais, que na verdade foi o mecanismo proposto pelo Brasil em reuniões do G-20. A expectativa é de que o Brasil participe com algo entre US$ 10 bilhões, como acenou na cúpula do G-20 em Cannes, ou mesmo com até US$ 14 bilhões, na expectativa de ampliar seu poder de voto no FMI mais tarde.

Até agora, Estados Unidos, Japão e Canadá não queriam aumentar recursos para o FMI ajudar os europeus, estimando que os países da zona do euro têm dinheiro suficiente para resolver seus problemas.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

OMC aprova entrada de Rússia, Samoa e Montenegro

A 8ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) aprovou a entrada de mais três membros: Rússia, Montenegro e Samoa.

Rússia




Rússia terá 220 dias para ratificar seu pacote de adesão, por sua vez Samoa terá até 15 de junho de 2012 e Montenegro até 31 de março de 2012.






Samoa



Em todos os três casos, os países se tornarão membros de pleno direito da OMC após 30 dias da ratificação de seus pacotes de adesão à OMC.




Montenegro


O pacote de adesão nada mais é que um conjunto de compromissos que o novo membro se compromete a observar perante a Organização.




Com a entrada destes Estados a OMC passará a ter 157 membros.

A ARMA SECRETA DA CHINA

Excelente artigo publicado na Revista Veja (19/12/2011), relata qual a "arma" utilizada pela China para se tornar uma potência mundial. Investir na educação, é investir em saúde, segurança pública, cultura, etc. Enfim, o investimento em educação reflete em todos os setores de um país. Está na hora de nossos governantes reverem suas prioridades. Educação é um investimento de longo prazo, mas com certeza o mais eficiente.



A ARMA SECRETA DA CHINA

ARMAS DE EDUCAÇÃO EM MASSA
Autor(es): GUSTAVO IOSCHPE
Veja - 19/12/2011

Em cinco capítulos, conto como a verdadeira arma da China para se tornar potência mundial é seu sistema educacional baseado no mérito. Que grande lição para nós no Brasil!

Capítulo 1: Os alunos e seus pais

A história de Sun Juntao, de 16 anos, é uma entre milhões do fabuloso arsenal de educação em massa que une escolas, alunos e pais na China

Encontrei Sun Juntao, 16 anos, às 7h30 da manhã perto do ponto de ônibus onde desembarcava, em uma das tantas largas e movimentadas avenidas de Xangai, a maior metrópole chinesa. A caminho de sua primeira aula do dia, de matemática, Juntao estava paramentado com roupas de marcas esportivas, ostentava um ralo bigodinho do qual provavelmente se arrependerá no futuro e falava com aquela mistura de entusiasmo, ingenuidade, determinação e timidez próprios da adolescência. O extraordinário na cena era o fato de ser domingo e Juntao estar indo para uma escola particular, onde receberia aulas de reforço. Mais tarde lá estava ele, com mais vinte alunos sentados em duas fileiras de mesas retangulares, separadas por um corredor. A sala não tinha ar-condicionado, monitor de televisão, microfone ou outro aparato tecnológico: só mesas, cadeiras e uma lousa. A aula era ministrada por um professor jovem, de 27 anos. Foi uma das aulas mais pesadas a que já assisti: sem fazer nenhuma concessão ao fato de ser um domingo de manhã, freneticamente o professor resolveu problemas de geometria por quase duas horas, sem intervalo, sem fazer muitas perguntas aos alunos nem esboçar algum sinal de senso de humor ou apelar para a espetacularização das aulas dos cursinhos brasileiros. Ninguém reclamou, nem se mexeu muito, nem saiu para ir ao banheiro. Depois daquela aula, um intervalo de dez minutos e mais duas horas de aula de química. Assim são todos os fins de semana de Juntao. Assim são os fins de semana de milhões e milhões de adolescentes chineses que lutam para superar milhões de colegas e entrar em uma universidade de primeira linha.

Juntao quer mais. Quer ser um dos melhores advogados do mundo, formar-se na China e fazer mestrado em Stanford, na Califórnia, do outro lado do Oceano Pacífico. Para chegar lá, ele precisa obter um ótimo resultado no Gao Kao, o temido e cobiçado exame nacional de admissão universitária. A nota no Gao Kao determina a universidade na qual o aluno será aceito. Por isso Juntao se esforça tanto. Ele acorda diariamente às 6 da manhã. Enfrenta um trajeto de quase uma hora de ônibus para chegar a sua escola. Entre 7h10 e 8 horas, lê com seus colegas livros didáticos da matéria que está estudando, em sala de aula, sem professor. Às 8 começam as aulas. Perto do meio-dia há uma pausa de uma hora e quinze minutos para o almoço, servido no refeitório da escola. À tarde, mais quatro períodos de aula. Às 5 ele vai para casa. Chega por volta das 18h30. Durante uma hora, descansa, toma banho e janta. Aí faz o dever de casa por, normalmente, três horas diárias. Às 22h30 vai dormir, e o ciclo recomeça no dia seguinte. Descanso, só aos sábados, mas por poucos meses: no ano que vem ele fará Gao Kao e frequentará aulas de reforço aos sábados também. Como praticamente todos os jovens que encontrei, Juntao não tem namorada, não vai a baladas, não usa drogas e não fuma. Apesar do embaraço causado à minha tradutora, que só fez a pergunta depois da minha insistência quando o questionei sobre o que aconteceria se ele, involuntária e inadvertidamente, se apaixonasse por alguém nessa idade, a resposta veio rápida: “Espero até depois do Gao Kao”.

A obsessão dos chineses pelo estudo é o primeiro dado para entender a notícia, divulgada no fim do ano passado, que abalou profundamente toda a compreensão da educação no mundo: Xangai, província chinesa, tinha tirado o primeiro lugar em todas as áreas aferidas (matemática, ciências e leitura) no mais importante e respeitado teste internacional de qualidade educacional, chamado Pisa. O teste, realizado a cada três anos pela OCDE (o clube dos países desenvolvidos), mede o conhecimento de jovens de 15 anos de idade. Começou a ser realizado no ano 2000 em 32 países (entre eles o Brasil, que ficou em último lugar) e, na edição de 2009, contou com 65 participantes (ficamos novamente na rabeira: entre a 53ª e a 57ª posições). Em suas edições anteriores, o topo do ranking era ocupado pelos suspeitos de sempre: Finlândia, Coreia do Sul, Japão, Canadá. O teste confirmava a crença de que renda e qualidade educacional estão intimamente associadas: só os países mais ricos do mundo conseguiriam produzir sistemas top de educação. Mesmo no teste de 2009, países de nível de desenvolvimento semelhante ao chinês ficaram muito atrás dos países ricos: na área de leitura, o foco da edição de 2009, a Turquia ficou em 41º lugar, a Rússia em 43º, o México em 48º e o Brasil em 53º. Xangai ficou em primeiro lugar, com uma dianteira considerável sobre todos os países desenvolvidos, em todas as áreas avaliadas.

O Brasil como modelo

Fonte: Valor Econômico
Autor: Sergio Leo

Diplomatas, como certos políticos, são especialistas em dizer o que o interlocutor quer ouvir. É uma maneira inteligente de preparar o terreno para o que se quer realmente falar. Ultimamente, nos meios diplomáticos, tornou-se hábito entre os estrangeiros dizer a brasileiros que o Brasil tem muito a ensinar ao mundo.

Capturada a atenção - e, quem sabe, a simpatia - do ouvinte, o comentário elogioso geralmente é seguido.... por exemplos convincentes de que o mundo está realmente interessado em aprender com o Brasil. Negócios bilionários estão entrando por esse caminho.

A Índia, que receberá a presidente Dilma Rousseff em março, tem forte interesse em discutir a gestão de programas sociais com o governo brasileiro. Como disse um diplomata indiano, ambos os países são democracias "confusas", com populações grandes, sociedades complexas e maltratadas pela corrupção. O legítimo interesse em tornar eficientes os programas sociais, visível tanto em Brasília quanto em Nova Déli, deve fazer com que esse tema comum avance além do tradicional lero-lero dos manifestos diplomáticos.

A África, que Dilma já avisou ser prioridade de sua política externa a ser reforçada em 2012, surge como um alvo preferencial para ações em acordo com outros países, e parceiros entre países desenvolvidos descobrem qualidade inusitadas no trabalho com o Brasil no continente.

Conferência da OMC anuncia fim da era dos acordos

Fonte: O Estado de S. Paulo
Aurtor: Jamil Chade

Conferência da OMC anuncia fim da era dos acordos


O vento gelado dos Alpes varreu nos últimos dias a cidade de Genebra, onde ocorria neste fim de semana a conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para muitos, a tempestade era o sinal de tempo difíceis.

Enquanto políticos faziam falsas promessas de manter mercados abertos, diplomatas e economistas chegavam à mesma conclusão: a recessão acabou com 20 anos de uma processo de liberalização dos mercados e o mundo caminha para uma segunda onda de protecionismo, ainda mais profunda, que provocaria prejuízos à economia mundial de R$ 1,5 trilhão.

Nem o Brasil, nem a UE nem os Estados Unidos demonstram hoje interesse real na conclusão da Rodada Doha. Mas, para além dos acordos, o que se verifica é a proliferação de medidas protecionistas, tanto em países ricos como emergentes.

Para 2012, o comércio mundial deve, na melhor das hipóteses, sofrer uma estagnação por causa da queda de consumo. Mas a onda de barreiras ameaça fazer o fluxo contrair. "Há sinais sérios de isolacionismo que se parecem com o momento da recessão dos anos 30", alertou Pascal Lamy, diretor-geral da OMC.

Em média, três barreiras são implementadas no mundo por dia e, cada qual com sua estratégia, a ordem é a de proteger suas indústrias em tempos de estagnação e desemprego. Essas medidas e ameaças mostram que a era dos acordos comerciais pode ter chegado a um fim, pelo menos temporário. "Acho que o inverno comercial começou", alertou um diplomata escandinavo.