| Fonte: Valor Econômico Autor: Daniel Rittner |
Em setembro de 2008, quando a eurozona ainda via de longe a crise americana e a Grécia só era assunto das revistas de turismo, a moeda única da União Europeia recebeu um sinal inequívoco de prestígio. A Polônia, maior economia entre os 12 países da Europa Central e do Leste que entraram no bloco na década passada, anunciou sua intenção de aderir ao euro até 2012. Com a quebra do Lehman Brothers, apenas duas semanas mais tarde, os planos começaram a mudar; hoje ninguém mais fala em abandonar a moeda nacional, o zloty, no curto prazo. O que parecia ser um desvio da rota planejada tornou-se acidentalmente uma tábua de salvação: graças às exportações incentivadas por um zloty desvalorizado e à queda de juros propiciada pela preservação de sua política monetária, a Polônia enfrentou a crise global sem cair em recessão (foi o único país da UE onde isso ocorreu) e terá a maior expansão do bloco neste ano. A economia polonesa deverá crescer 2,7% em 2012, segundo projeções da Comissão Europeia. A Eslovênia e a Eslováquia, seus vizinhos que adotaram o euro, vão ter um desempenho bem inferior: queda de 1,4% e crescimento de 1,8%, respectivamente. O PIB da Estônia, que também adotou a moeda, teve contração de 14,3% em 2009 e sua economia ainda não voltou aos níveis pré-crise. "Vamos ficar com o zloty pelo menos até 2017 ou 2020. O euro é uma boa casa, mas que precisa ser pintada e remodelada antes de ganhar novos moradores", diz Iwona Chojnowska-Haponik, diretora da Invest in Poland, a agência oficial de promoção de investimentos. "Não termos adotado o euro seguramente nos permitiu atravessar a crise com menos dificuldade". Basta caminhar um pouco pelas ruas de Varsóvia, que se tornou um canteiro de obras com os investimentos em construção civil e infraestrutura, para perceber o ceticismo com o euro. "Não parece uma boa ideia abrir mão do zloty agora. Além dos problemas da Grécia, todos os países que adotaram o euro tiveram aumento de preços na troca da moeda, não?", questiona a estudante de arquitetura Anna Stachniak, que era favorável à entrada da Polônia na zona do euro, mas mudou de ideia com o aprofundamento da crise grega. |
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segunda-feira, 4 de junho de 2012
Euro perde apelo e Polônia prefere manter sua moeda
Cresce cobrança para que Alemanha ceda a mais estímulos no G-20
| Fonte: Valor Econômico |
| Autor: Assis Moreira |
Os Estados Unidos e os emergentes aumentam as pressões para que a Alemanha diminua sua resistência a estímulos econômicos, diante do estrago que a crise do euro está causando, na cúpula de líderes do G-20 nos dias 18 e 19 em Los Cabos, no México. A constatação é de que o mundo inteiro está contaminado pelo vírus da zona do euro, confirmado por indicadores em queda nos Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e na China. A intensificação dos riscos na Europa - eventual saída da Grécia do bloco monetário, fragilidade dos bancos espanhóis e contágio nos mercados financeiros - deteriora a confiança de consumidores e empresas. Também intensificou-se a tendência de a expansão econômica em todas as regiões ser bem menor do que o potencial tanto em 2012 como em 2013. "Os EUA estão cobrando mais respostas de estímulo econômico, e isso também ganhou relevância para a China, que está mais preocupada com a deterioração induzida pela crise europeia"", diz um importante negociador. Os líderes dos Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul- vão se reunir em Los Cabos no dia 18 para harmonizar a tônica da cobrança no G-20 por mudança de duro ajuste fiscal por políticas pró-cíclicas e que se quebre o circulo vicioso de desalavancagem, crescente desemprego e fragilidade do setor financeiro nas economias desenvolvidas. |
terça-feira, 27 de março de 2012
Merkel dá sinal verde a fundo europeu
| Fonte: Valor Econômico |
| Autor: Assis Moreira |
A chanceler alemã Angela Merkel confirmou ontem pela primeira vez que vai apoiar o aumento do "firewall" ou programa de socorro europeu para alcançar € 700 bilhões contra propagação da crise da zona do euro. No entanto, a concessão de Merkel é bem aquém da demanda da União Europeia e de países não membros do G-20 para a Europa dobrar o seu programa de socorro para cerca de €1 trilhão de e depender menos de ajuda externa. Até agora, a Alemanha recusava aumentar os recursos contra a crise, temendo que os países da periferia da zona do euro ficassem menos dispostos a colocar em prática medidas de austeridade, uma vez que teriam segurança de que haveria uma rede mais forte de proteção. Só que os "spreads" sobre os títulos soberanos de várias nações, especialmente da Espanha, continuaram subindo, com investidores cobrando mais para financiar países em situação financeira calamitosa. Além disso, os parceiros internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e membros não europeus do G-20 insistem para a Alemanha dar um forte passo para ajudar a zona do euro. O G-20 condicionou aumentar os recursos do FMI para cerca de US$ 1 trilhão a uma decisão anterior à da própria Europa de elevar os recursos para seu fundo de socorro aos países em dificuldades. Após muita pressão, Merkel atende parcialmente a demanda. |
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
União Europeia dará US$ 195 bi para FMI
| Fonte: Valor Econômico |
| Autor: Assis Moreira |
Os países membros da União Europeia vão fornecer € 150 bilhões (US$ 195 bilhões) de recursos adicionais para o Fundo Monetário Internacional (FMI) reforçar sua capacidade de responder à crise na Europa e em outros países. A expectativa do anúncio deu a tônica das bolsas internacionais do dia, porém ele chegou tarde demais para impedir que fechassem em queda. A decisão foi tomada ontem em reunião dos ministros de finanças da zona do euro, e o valor é inferior aos € 200 bilhões que haviam sido prometidos há duas semanas pelos líderes do bloco. A Grã-Bretanha, que não faz parte da moeda comum, resiste a ajudar no pacote e diz que só decidirá no ano que vem, no âmbito do G-20. Mas a República Tcheca, Dinamarca, Polônia e Suécia, também fora do euro, vão contribuir. A União Europeia imediatamente chamou outros países de fora do euro para fazerem o mesmo, por meio de acordos bilaterais, que na verdade foi o mecanismo proposto pelo Brasil em reuniões do G-20. A expectativa é de que o Brasil participe com algo entre US$ 10 bilhões, como acenou na cúpula do G-20 em Cannes, ou mesmo com até US$ 14 bilhões, na expectativa de ampliar seu poder de voto no FMI mais tarde. Até agora, Estados Unidos, Japão e Canadá não queriam aumentar recursos para o FMI ajudar os europeus, estimando que os países da zona do euro têm dinheiro suficiente para resolver seus problemas. |
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