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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Análise de patentes de medicamentos tem novo fluxo

Fonte: ANVISA


A análise da Anvisa sobre os pedidos de patentes de medicamentos terá um novo fluxo. A partir de agora, a chamada anuência prévia será feita antes que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) avalie e decida sobre os processos de patentes. Esta nova rotina é resultado do relatório do Grupo de Trabalho Interministerial que discutiu, nos últimos oito meses, as relações e atribuições da Anvisa e do INPI na análise de patentes farmacêuticas.

O relatório final do Grupo de Trabalho propõe que os pedidos de patentes farmacêuticas feitos ao INPI sejam encaminhados à Anvisa. Se a Agência conceder a anuência, o pedido retornará ao INPI para que seja dado seguimento ao processo de avaliação. Caso a Anvisa não conceda a anuência prévia, o pedido de patente será arquivado e a decisão publicada na Revista da Propriedade Industrial.

Para o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, o relatório dá mais clareza ao trabalho das duas instituições e evita questionamentos externos em relação à atuação do Brasil na área de patentes farmacêuticas. O INPI e a Anvisa ainda devem publicar uma normativa detalhando o novo processo e os aspectos da análise de cada órgão.

De acordo com o artigo 229-C da Lei 9.279/96, a concessão de patentes para produtos e processos farmacêuticos depende da anuência prévia da Anvisa. Este mecanismo foi criado de forma a aproximar o direito à propriedade intelectual das políticas públicas de saúde e igualdade social vigentes no Brasil.

O Grupo de Trabalho foi composto pelos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pela Anvisa, pelo INPI e pela Advocacia Geral da União. O trabalho do grupo foi motivado pelos pareceres 210/2009 e 337/2011 da AGU, que recomendaram a articulação entre o INPI e a Anvisa a fim de melhorar a gestão pública com foco na saúde.

Veja a Portaria Interministerial 1.065/12 que aprova o relatório

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Seminário discute propriedade intelectual para empresas exportadoras

Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Intelectual

As patentes brasileiras estão em alta no exterior e, com elas, direitos exclusivos de comercialização em mercados fortes como Estados Unidos e Europa. Isso pode dar um impulso decisivo para a exportação brasileira de produtos com alto valor agregado. Para discutir este tema, o INPI e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) realizam, no dia 2 de maio, em São Paulo, das 14h às 19h, o seminário Proteção e Gestão da Propriedade Intelectual para Empresas Exportadoras.

O evento é gratuito e será realizado no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), localizado à Rua das Olimpíadas, 242 - 10º andar - Vila Olímpia - São Paulo. Além da CNI, o evento conta com apoio da Apex-Brasil. Para fazer sua inscrição, clique aqui. No fim do evento, haverá atendimento individual aos empresários interessados.

A abertura do evento será realizada pela coordenadora do programa de propriedade intelectual da CNI, Diana Jungmann. Em seguida, para falar sobre o sistema internacional de registro de PI, os palestrantes serão o presidente do INPI, Jorge Avila, e o diretor regional da OMPI no Brasil, José Graça Aranha.

Por sua vez, a diretora da Intellectual Property for Sustainable Energy Ventures, Cynthia Cannady, falará sobre o licenciamento como forma de otimizar as receitas de exportação.

O evento terá ainda a apresentação de casos de sucesso, com Mário Alexandre Gonçalves, coordenador de PI da Whirlpool Latin America; e Antônio Carlos Siqueira, consultor jurídico da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Acordo Brasil-Europa irá estimular geração de patentes e acesso ao conhecimento

Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Intelectual

Com foco no aumento dos pedidos de patentes e no acesso ao conhecimento gerado por elas, o presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Jorge Avila, e o presidente do Escritório Europeu de Patentes (EPO), Benoît Battistelli, assinaram acordo de cooperação durante evento, no dia 11 de abril, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Os dois institutos também fecharam um plano de trabalho com diversas ações para os próximos cinco anos. Entre as atividades previstas, estão: a realização de eventos em todo o Brasil para mostrar como obter patentes na Europa; o desenvolvimento de um sistema de tradução automática dos pedidos de patentes em Português para o Inglês e outros idiomas, e vice-versa; além de discussões sobre o futuro do sistema de patentes.

Em sua apresentação, Avila lembrou que esta é uma ampliação da parceria que já existe entre o INPI e o EPO. Uma das provas disso é que o e-Patentes, sistema que permitirá o depósito de patente via Internet, a partir de julho, foi desenvolvimento com base no modelo europeu.

- Temos várias oportunidades para cooperar com o EPO. Aprendemos muito com a experiência européia e estamos trabalhando, em parcerias como esta, para que o INPI esteja cada vez mais preparado para atender às demandas da sociedade brasileira - comentou Avila, lembrando que a presidenta Dilma Rousseff também confere grande importância à questão das patentes.

Por sua vez, Battistelli revelou que os pedidos de patentes brasileiros na Europa dobraram nos últimos anos, mostrando a força da economia nacional. Por isso, nada mais natural que o Brasil seja um parceiro estratégico.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Em evento, Brasil e Europa assinam acordo para estimular patentes

Fonte: INPI


Em um passo decisivo para apoiar a inovação a partir do sistema de patentes, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e o Escritório Europeu de Patentes (EPO) vão assinar, em 11 de abril, um acordo bilateral com o objetivo de reforçar a cooperação entre o Brasil e Europa. Os dois escritórios vão trocar documentos de patentes em Português e Inglês para criar um sistema de tradução automática, para o serviço disponível no site do EPO. Isso irá incentivar o envio de pedidos de patentes brasileiros para a Europa, e de empresas européias para o Brasil.

O acordo será assinado em evento aberto para todos os interessados, no dia 11, a partir das 15h, no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, localizado à Rua Graça Aranha, 1 – Centro. Para fazer sua inscrição, basta enviar seu nome e instituição para o e-mail gustavot@inpi.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . A inscrição também pode ser feita na hora do evento.

Nos últimos anos, o Brasil e a Europa têm reforçado as suas relações no campo da inovação, que também se reflete nos pedidos de patentes. Pedidos de empresas francesas no INPI, por exemplo, cresceram 7,7% entre 2010 e 2011, enquanto os de empresas alemãs subiram 14%. Por outro lado, os inventores e empresas brasileiras aumentaram seus pedidos na Europa em 8,9% entre 2010 e 2011.

- Este acordo estabelece um novo marco na relação entre o EPO e o INPI, abrindo caminho para um relacionamento estratégico com vista à promoção da protecção da propriedade intelectual em ambas as regiões – afirmou o presidente do EPO, Benoît Battistelli, que completou: - As empresas européias estão entre os usuários mais ativos do sistema de patentes no Brasil. Nesse contexto, o reforço da cooperação entre os dois escritórios e a tradução automática de documentos brasileiros em Inglês e vice-versa, desempenham um papel central, quebrando as barreiras da língua e divulgação de uma riqueza de informações técnicas que os inventores, cientistas e engenheiros em ambas as regiões pode usar livremente. Complexos desafios como as alterações climáticas, o acesso à água potável e alimentos não pode ser enfrentados sem inovação. A proteção por patentes desempenha um papel fundamental neste processo.

No entanto, a parceria entre INPI e EPO vai além deste acordo, uma vez que o sistema para permitir pedidos eletrônicos de patentes no Brasil, o e-Patentes, que será lançado em julho, foi desenvolvido a partir do modelo criado pelo EPO.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Índia quebra patente de medicamento para câncer

Fonte: Folha.com
Autora: Cláudia Antunes


O Escritório de Patentes da Índia quebrou o monopólio da farmacêutica alemã Bayer sobre a produção de osilato de sorafenibe, medicamento usado para tratar câncer de fígado e rim.

A decisão veio após uma disputa com a empresa sobre preços e disponibilidade do remédio no mercado local.

A Índia é grande produtora de genéricos, mas foi a primeira vez que usou o mecanismo de licenciamento compulsório previsto no acordo sobre propriedade intelectual da OMC (Organização Mundial do Comércio), conhecido pela sigla Trips.

O Trips permite aos países-membros da OMC romper direitos de exclusividade sobre a produção e venda de remédios em nome do interesse público.

No caso, a empresa indiana autorizada a produzir o medicamento --vendido pela Bayer sob o nome fantasia Nexavar-- foi a produtora de de genéricos Natco, que pagará royalties de 6% à Bayer.

Na decisão oficial, o licenciamento foi descrito como um "contrato involuntário entre um comprador disposto e um vendedor não disposto". A Índia só passou a conceder patentes a remédios em 2005, quando adaptou sua legislação ao Trips.

Em nota, a Bayer disse que estava avaliando as "opções legais" para lidar com o caso.

Segundo a ONG Médicos sem Fronteiras, a estimativa é que o custo do uso do osilato de sorafenibe por um mês caia de US$ 5.500 para US$ 175. Em 2007, o Brasil emitiu uma licença compulsória para a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) produzir aqui o Efavirenz, remédio usado no tratamento da Aids.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Pedidos de patentes brasileiros no exterior crescem 17% em 2011

Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Intelectual


Em mais uma prova de que a inovação está em alta no Brasil, os pedidos de patentes nacionais no sistema global PCT (Patent Cooperation Treaty) cresceram 43% nos últimos quatro anos, sendo 17% de aumento só em 2011. Desta forma, o País atingiu a marca de 572 pedidos, segundo as estimativas divulgadas no dia 5 de março pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).

Além do Brasil, os outros países que integram os BRICs tiveram forte avanço, enquanto europeus e americanos ainda tentam se recuperar da queda registrada após a crise de 2008. O resultado mais impressionante é o da China: em apenas quatro anos, o país experimentou crescimento de 200% em suas patentes no PCT, com 16.406 pedidos apenas em 2011. Já a Rússia teve expansão de 40% em quatro anos (chegando a 964) e a Índia apresentou aumento de 58%, atingindo 1.430 no ano passado.

- A expansão dos BRICs era esperada, e tais índices devem crescer ainda mais nos próximos anos. No Brasil, trabalhamos com um aumento anual nos pedidos de patente na faixa de 10%. Nosso objetivo é estimular ainda mais esta ampliação, atraindo novos cidadãos e empresa para o sistema, pois a patente é essencial para a competitividade - comentou o presidente do INPI, Jorge Avila, lembrando que o Instituto está investindo numa parceria com os outros países que integram os BRICs para impulsionar a inovação nestes países.

Em sentido inverso, os Estados Unidos tiveram queda de 10% nos pedidos de patentes ao comparar 2011 com 2007. Os índices americanos vinham em baixa até 2010, tendência que só começou a ser revertida no ano passado. Mesmo assim, os americanos ainda são os maiores usuários do sistema, com cerca de 48 mil pedidos em 2011, como estima a OMPI.

Entre os europeus, a trajetória foi um pouco diferente: houve um abalo pós-crise, mas muitos já estão um pouco acima dos índices de 2007. O crescimento acumulado é de 4% na Alemanha e 16% na França. Por sua vez, o Reino Unido ainda apresenta queda de 13%.


Outros países asiáticos mostraram bom desempenho nos últimos quatro anos: o Japão, por exemplo, teve crescimento de 40%, enquanto a Coréia do Sul apresentou uma expansão de 47% entre 2007 e 2011.


Confira aqui os dados completos da OMPI.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

OMPI alerta sobre custo de patentes

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Assis Moreira

Os pedidos de proteção de patentes no Brasil cresceram apenas 3,4% no ano passado, metade da expansão global, que foi de 7,2%, e um aumento muito menor do que os 24,5% de alta na China, de acordo com levantamento final divulgado ontem pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Para 2011 e 2012, a expectativa é de que, globalmente, empresas e centros de pesquisas vão aumentar as demandas de registro de patentes, refletindo maior inovação e globalização da economia.

Mas o diretor-geral da OMPI, Francis Gurry, alertou que o encarecimento no registro de patentes e marcas traz o desafio para as pequenas e médias empresas conseguirem proteger suas inovações em uma economia cada vez mais global. Gurry fez o comentário depois de ser indagado sobre o anúncio, no Brasil, de alta nas taxas de registro de patentes e marcas, que poderão subir até 400% a partir de janeiro. Sem querer abordar diretamente a situação brasileira, o diretor da OMPI observou que desde 1990 a entidade global não aumenta as taxas para registro de patente internacional, mas que vários países elevaram as cobranças.

Ele reiterou também que seria "muito menos caro" para as empresas brasileiras protegerem suas marcas globalmente se o Brasil aderisse, enfim, ao Protocolo de Madri. Por esse tratado internacional, que entrou em vigor em 1996, uma empresa não precisa mais registrar sua marca em cada um dos países para onde exporta, contando assim com um registro único e válido em diversos países, desde que esses tenham aderido ao protocolo. Conforme a OMPI, para registrar apenas uma marca hoje em 55 países, uma empresa brasileira gasta cerca de US$ 100 mil. Se o país aderir ao Protocolo de Madri, o custo para realizar a mesma proteção cairia para US$ 7,5 mil.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

INPI aposta em projeto de ferramenta eletrônica para unificar informações de Propriedade Industrial na América do Sul

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) inova ao apostar no desenvolvimento de um sistema eletrônico que possibilite a troca instantânea de informações e o armazenamento de dados sobre patentes e outros direitos de propriedade industrial entre países da América do Sul.

Com a participação da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Suriname e Uruguai, o Prosur, como é denominado, conta com o apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O projeto tem por objetivo a construção, de forma colaborativa, de soluções para o sistema de PI dessas regiões.

Atualmente, o Prosur* está avaliando a implantação de um banco de dados de patentes, por intermédio da ferramenta eletrônica "Wipo Case". Desenvolvida pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) para integrar um projeto de cooperação voltado para os escritórios do Canadá, Reino Unido e Austrália (Vancouver Group), a ferramenta encontra-se em fase de adaptação para as necessidades da América do Sul. A plataforma eletrônica tem como principal funcionalidade receber e armazenar os pedidos de patentes comuns a todos, facilitando o diálogo entre os países envolvidos no acordo.

A princípio, o BID apoiará o projeto até o fim de 2012, por intermédio do Fundo de Bens Públicos Regionais (BPR). O apoio poderá, entretanto, ser estendido, tendo como base outras linhas de financiamento do Banco.

- A possibilidade de se estabelecer acordos de cooperação técnica de caráter operacional na América do Sul vem sendo discutida há cerca de cinco anos. A utilização da ferramenta possibilitará facilitar a comunicação e agilizar os processos de concessão de direitos de PI, otimizando os recursos e evitando a duplicidade de esforços entre os escritórios - destacou Leopoldo Nascimento Coutinho.

No próximo encontro, previsto para dezembro, no Equador, já se começa a discutir o processo de colaboração também na área de marcas.

Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Industrial

domingo, 31 de julho de 2011

Caso dos Medicamentos Genéricos - Um possível acordo

Após longa discussão, Índia e União Européia (UE) chegaram a um acordo provisório sobre a apreensão realizada pelos Países Baixos e pela União Européia de remédios genéricos originados na Índia e que se destinavam a países em desenvolvimento (PED) e países menos desenvolvidos (PMD). Como se verá a seguir, as questões suscitadas neste conflito são de vital importância para países em desenvolvimento e menos desenvolvidos, pois afetam a saúde pública e o acesso a medicamentos.

A disputa iniciou em dezembro de 2008, quando um carregamento medicamentos genéricos que saíra da Índia em direção ao Brasil, foi apreendido no momento em que estava em trânsito na Holanda. Após este episódio, outros carregamentos de medicamentos genéricos de origem indiana, destinados aos PED e PMD da América Latina e da África, foram apreendidos pelas autoridades aduaneiras holandesas e européias quando em trânsito no território destes países.

Em 11 de maio de 2010, a Índia solicitou consultas com a União Européia e Países Baixos, afirmando que as apreensões eram contrárias as normas internacionais do comércio. No dia seguinte, 12/05/2010, alegando, basicamente, os mesmos motivos apresentados pela Índia, o Brasil também solicitou consultas com estes mesmos países.

Na última sexta-feira, 29/07/2011, a Índia anunciou um acordo com a União Européia. O governo indiano assegurou que a Índia e o Brasil suspenderiam as consultas na OMC. Por sua vez, Holanda e os demais países membros da UE determinariam às autoridades da aduana que não efetuassem mais as apreensões, bem como enviariam um projeto de lei ao Parlamento Europeu, reformulando as leis aduaneiras.



Entenda melhor o conflito

Dentre as normas aduaneiras da União Européia, há o Regulamento CE nº 1383/2003, que regula as ações aduaneiras em relação às mercadorias suspeitas de violarem direitos de propriedade intelectual e as medidas a tomar contra estas mercadorias. De acordo com o Regulamento, ainda que a mercadoria esteja apenas em trânsito no território da UE, as autoridades aduaneiras poderão apreender as mercadorias suspeitas de violarem patentes européias.

Segundo a Holanda, o laboratório farmacêutico que detinha a patente européia sobre a fórmula do medicamento genérico apreendido, solicitou à autoridade aduaneira holandesa que interviesse e apreendesse a mercadoria, pois o laboratório indiano, fabricante e exportador do medicamento, não tinha sua autorização. Cumpre salientar que, neste caso em particular, o laboratório que apresentou a denuncia à Holanda não tinha os direitos de patente na Índia e no Brasil, países de origem e destino, respectivamente.

Neste momento, é importante lembrar que um dos princípios das patentes é a territorialidade, ou seja, o titular somente tem os direitos de propriedade industrial sobre o produto quando efetuar o depósito da patente no país em que desejar usufruir estes direitos.

Brasil e Índia entendem que tanto a apreensão dos medicamentos genéricos em trânsito na Holanda, quanto os dispositivos do Regulamento CE nº 1383/2003, violam artigos do Acordo Constitutivo, do GATT 94 e do Acordo de Propriedade Intelectual (TRIPS), todos da OMC.

Vamos para alguns argumentos levantados pelo Brasil e pela Índia:

As apreensões efetuadas pela Holanda e por alguns países da UE sob os auspícios do Regulamento CE nº 1383/2003, violam a obrigação de livre trânsito disposta no art. V do GATT/1994, pois as medidas tomadas pelas autoridades aduaneiras são discriminatórias e não razoáveis, impondo atrasos desnecessários e restrições a liberdade de trânsito.

Tampouco são observadas as obrigações relativas a publicação e administração dos regulamentos comerciais, dispostas no art. X do GATT/1994, haja vista que não são administrados de maneira uniforme, imparcial e razoável.

Os medicamentos genéricos de origem indiana foram fabricados e comercializados por meio de licença compulsória. Trata-se de um mecanismo previsto no art. 31 do TRIPS, que permite a um Estado, observadas algumas condições, conceder a terceiros o direito de explorar o produto patenteado sem autorização do titular da patente. Ademais, os PED e os PMD para os quais Índia estava exportando também haviam concedido licenças compulsórias para aquele produto. Assim, como a comercialização era entre Índia e estes países, não havia qualquer violação aos direitos de patente do titular, e a operação era totalmente legítima. Por não respeitar o art. 31 do TRIPS, Brasil e Índia acusam a União Européia de não observar as normas da OMC.

O Regulamento da CE nº 1383/2003 viola as determinações dispostas no art. 28 e 2º do TRIPS. De acordo com a interpretação conjunta destes dois dispositivos, os direitos de patente não podem ser estendidos de modo a interferir na liberdade de trânsito de medicamentos genéricos fabricados de acordo com a legislação dos países de origem e de destino.

O Regulamento também cria obstáculos desnecessários e ilegítimos, além de causar atrasos injustificados, bem como permitir o abuso de direito por parte do titular da patente, descumprindo as normas inseridas nos arts. 41 e 42 do TRIPS.

Por fim, alegam que o Regulamento viola os arts. 7º e 8º do TRIPS, pois não está promove o bem-estar social e econômico, não permite um equilíbrio de direitos e obrigações, além prejudicar a saúde pública nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos, além de impedir que a população mais carente tenha acesso aos medicamentos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Teva se vê do outro lado das patentes

Por JONATHAN D. ROCKOFF
Fonte: The Wall Street Journal

A Teva Pharmaceutical Industries Ltd., uma gigante de remédios genéricos que transformou em missão desafiar as valiosas patentes das maiores farmacêuticas do mundo, está sentindo na pele as dores de suas próprias táticas.

A empresa israelense tornou-se uma das maiores fabricantes de medicamentos do mundo vendendo cópias genéricas de caros remédios de marca. Nos Estados Unidos, por exemplo, os genéricos da Teva respondem por um em cada cinco medicamentos receitados, segundo a empresa. Mas a Teva também tem um negócio de remédios de marca. Seu principal produto é o Copaxone, um tratamento para a esclerose múltipla que gerou mais de US$ 3 bilhões do total de US$ 16,1 bilhões faturado pela Teva no ano passado.

Agora é o Copaxone que está enfrentando a ameaça da concorrência dos genéricos. As rivais Mylan Inc. e Momenta Pharmaceuticals Inc. encaminharam pedidos separados à Agência de Remédios e Alimentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) para vender cópias do Copaxone em antecipação ao vencimento de várias patentes importantes em 2014 e 2015. Para poder vender suas versões genéricas mais cedo, as rivais estão desafiando a validade das patentes, uma estratégia que a Teva ajudou a inventar.

Em resposta, a Teva processou as rivais por violação de patentes, seguindo passos do manual das grandes farmacêuticas para defenderem-se de concorrentes. A empresa também pediu à FDA que exija testes clínicos de grande escala das propostas cópias, uma etapa que não é necessária para os genéricos, mas que os fabricantes de medicamentos de marca têm utilizado para proteger certos medicamentos. Por ora, a agência sanitária rejeitou todos os pedidos da Teva para que sejam requeridos testes clínicos, mas uma parte do litígio continua em curso em um tribunal federal de Nova York e outra está programada para começar em 7 de setembro.

"Eles estão agindo como uma grande farmacêutica. Estão defendendo suas patentes como a Merck ou a Pfizer teriam feito. Essa é que é a ironia aqui", diz Richard Shea, diretor financeiro da Momenta.

A Teva afirma que suas patentes são válidas e foram obtidas de acordo com os procedimentos do escritório de patentes. Não há "nada de errado com defender suas patentes, e quando estamos do outro lado, lutando pelo nosso genérico, não nos queixamos do fato de que as farmacêuticas donas da marca estão defendendo suas patentes", diz David Stark, diretor jurídico da Teva nas Américas.

A disputa ressalta como as pressões de negócio estão tornando mais tênue a linha que separa as farmacêuticas de marca dos fabricantes de genéricos e levando empresas líderes de ambos setores a desenvolverem estratégias similares. Agora, o laboratório Sandoz, da Novartis AG, que faturou US$ 8,5 bilhões em 2010, já é o segundo maior vendedor de medicamentos genéricos do mundo, depois da Teva. No ano passado, o gigante francês Sanofi SA obteve US$ 2,2 bilhões com as vendas de genéricos e estabeleceu uma joint venture para vender cópias genéricas no Japão.

Para as grandes farmacêuticas, a expansão no mercado de genéricos é, em parte, um esforço para alcançar crescimento em mercados emergentes, como Brasil, Índia e Rússia, diz Frederic Brunner, diretor-presidente da consultoria a-connect e ex-executivo da Novartis.

A maioria dos consumidores nesses mercados não pode pagar os preços dos medicamentos de marca, e as empresas dos países ricos vendem "genéricos de marca", mais acessíveis, mas ainda vendidos a preços mais elevados do que os remédios sem nenhuma marca, porque o nome da empresa denota mais qualidade.

Os grandes laboratórios farmacêuticos também estão alavancando seu conhecimento em medicamentos complexos conhecidos como "biológicos" para desenvolver cópias desse tipo de tratamento. Tanto a Pfizer Inc. quanto a Merck & Co. informaram que estão trabalhando em versões genéricas de remédios biológicos.

Para as empresas de genéricos, os medicamentos de marca poderiam ajudar a combater a crescente concorrência de rivais na Índia, que têm espremido ainda mais os preços e as margens dos medicamentos genéricos.

"O que costumava ser um negócio muito lucrativo e um semi-oligopólio passou a ser supercompetitivo e feroz", diz Brunner.

Nos últimos cinco anos, empresas de genéricos da Índia, como a Aurobindo Pharma Ltd., a Dr. Reddy's Laboratories Ltd., a Lupin Ltd. e a Ranbaxy Laboratories Ltd. aumentaram sua participação de mercado de 4%para 21%, enquanto as dez maiores fabricantes de genéricos perderam 10% da sua participação, segundo Ronny Gal, analista da Sanford C. Bernstein. Os produtos de marca desfrutam de um monopólio durante o período de proteção de patentes e são vendidos por preços até 90% mais altos que os genéricos, segundo a IMS Health.

A Teva, além de desenvolver seus próprios remédios de marca, como o Copaxone, fechou acordo em maio para pagar US$ 6,8 bilhões pela Cephalon Inc., que vende Provigil, um remédio para distúrbios do sono, e o tratamento da leucemia Treanda.

A Teva vai "desfrutar tanto das altas taxas de crescimento dos genéricos quanto da alta lucratividade das marcas", disse o diretor-presidente da farmacêutica, Shlomo Yanai, numa entrevista ao WSJ para discutir a compra da Cephalon. Após a aquisição, cerca de 40% da receita da Teva passaria a ser gerada por medicamentos de marca, frente a 30% antes, adicionou ele. As margens operacionais da Teva com o Copaxone são de cerca de 60%, estima Shibani Malhotra, um analista da RBC Capital Markets.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Guerra das patentes?



Qual será o real objetivo da Google com este anúncio? Estratégia brilhante ou um tiro no pé? O fato é que a propriedade intelectual é um instrumento valioso no comércio internacional e nacional, gera lucro para quem investe em pesquisa e desenvolvimento, em inovação, além de permitir o desenvolvimento dos países por meio da transferência de conhecimento e tecnologia.



Myhrvold: Google incendeia guerra das patentes


Fonte: Negocíos Online

O antigo gestor da Microsoft diz que a venda de seis mil patentes por 3,18 mil milhões de euros precede um novo paradigma na indústria da tecnologia.

O negócio iria decorrer sem sobressaltos. A Nortel Networks está em processo de insolvência e preparava-se para vender carteira de seis mil patentes que interessam à indústria de telecomunicações móveis.

O encaixe estimado com a operação era de 200 a 400 milhões de dólares. “Muito dinheiro mas ainda assim uma insignificância quando comparado com o valor se ser líder no mercado de telecomunicações móveis”, atalha Myhrvold.

Foi então que a Google anunciou uma oferta pública de 900 milhões de dólares. A oferta elevou substancialmente o preço esperado para a venda e "enviou ondas de choque por toda a indústria", recorda o antigo "chief technicological officer" (CTO) da Microsoft e actual gestor de uma empresa que detém e gere várias patentes tecnológicas.

"Mais estranho ainda, a oferta permitia prolongar a venda durante vários meses”, refere sublinha Nathan Myhrvold. Outro aspecto bizarro desta oferta “foi a forma com a Google estruturou a sua oferta".

"Se se tivesse limitado a esperar pelo leilão teria ganho com facilidade. Em vez disso, a oferta pôs em marcha maquinações inéditas”, explica o especialista. A Microsoft uniu-se com a rival das consolas de jogos Sony e a Apple aliou-se à Research in Motion, que produz o Blackberry e concorre com o iPhone.

Como resultado, o leilão do portfólio de patentes levou a um despique entre as empresas envolvidas. A Google chegou a oferecer 3,14 mil milhões de dólares pelas patentes, numa desconcertante alusão ao número matemático “pi”. Mas o consórcio formado pela Apple, Microsoft, RIM, EMC, Ericsson e Sony levou a melhor.

Mesmo para quem acompanha a indústria, o culminar deste episódio é ambíguo.

“Alguns dizem a Google agiu com brilhantismo; a empresa não está pior do que estava antes e [o portfólio de patentes] custou 4,5 mil milhões à concorrência”. Outros dizem que piores tempos se avizinham: A estratégia “deixou os concorrentes mais bem armados para a luta – e mais do que ligeiramente zangados. Não se paga 4,5 mil milhões por activos para os deixar esquecidos numa prateleira”.

“Mas mais importante, esta venda confirma a noção de que as patentes vão ser uma ferramenta fundamental na indústria tecnologia”, prossegue Myhrvold. “As patentes definem o mercado farmacêutico e biotecnológico e, no futuro, podem desempenhar o mesmo papel na tecnologia”, conclui.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Justiça mantém em domínio público patente ligada a remédio para arritmia cardíaca

A Procuradoria Federal Especializada junto ao INPI conseguiu mais uma vitória no Judiciário em ações relacionadas a patentes de medicamentos. No dia 6 de julho de 2011, a 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu manter em domínio público uma patente ligada ao remédio Dronedarone, usado para combater arritmias cardíacas.

Neste caso, a empresa detentora da patente pretendia ampliar seu prazo de agosto de 2010 para um ano depois. No entanto, a Turma, por unanimidade, manteve a sentença anterior, considerando que o pedido para extensão do prazo de validade da patente pipeline estava prescrito, uma vez que a ação foi ajuizada cinco anos após a concessão da patente.

Muitas patentes de medicamentos geraram ações judiciais devido à polêmica em relação ao mecanismo do pipeline. A atual Lei de Propriedade Industrial, editada em 1996, incluiu o pipeline para proteger invenções das áreas farmacêutica e química que não poderiam gerar patentes até esta época. Pelo mecanismo, a patente teria um ano para ser pedida ao INPI e valeria pelo tempo restante no país em que foi depositada pela primeira vez.

O problema é que muitos pedidos de patentes eram depositados pela primeira vez num país e, depois de algum tempo, este pedido era abandonado e seguia outra solicitação, geralmente num escritório regional. Porém, o INPI defende que a proteção no Brasil deve ser contada a partir do primeiro depósito no exterior, como afirma a Lei. Este entendimento já foi confirmado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Industrial