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quinta-feira, 22 de março de 2012

Exportações do Brasil para o Irã desabam

Fonte: Valor Econômico
Autor: Rodrigo Pedroso
As exportações brasileiras para o Irã caíram 63% no trimestre compreendido entre dezembro, janeiro e fevereiro, na comparação com o mesmo período da virada de 2010 para 2011, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). No último mês do ano passado, o governo de Teerã começou a dificultar a entrada dos produtos, fazendo com que em fevereiro as vendas totais caíssem para US$ 22,6 milhões, cifra 88% menor do que o registrado no mesmo mês de 2011. Para analistas, o quadro é explicado por dois fatores: a instabilidade política e econômica no país e, principalmente, a mudança de rumo nas relações Brasil-Irã iniciada com a eleição de Dilma Rousseff.

Com a menor demanda iraniana, o produto mais afetado foi a carne bovina congelada. Entre dezembro de 2010 e janeiro e fevereiro do ano passado, o Irã era o principal destino desse produto, com as vendas chegando a US$ 203 milhões. Doze meses depois, no acumulado dos três meses, as exportações não passaram de US$ 28 milhões, fazendo dos iranianos o sexto mercado do Brasil.

Segundo Fernando Sampaio, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o governo iraniano está segurando as autorizações de desembarque. A situação já foi discutida com os importadores. "Mas depende de um acerto diplomático. Pedimos para o embaixador brasileiro no Irã conversar com o governo local para facilitar a entrada dos produtos. Espero que a situação mude agora em março, já que é quando começa o ano novo deles", afirma.

A mudança de posição do Brasil na Comissão de Direitos Humanos da ONU, votando a favor de uma investigação independente sobre eventuais violações aos direitos humanos, em março do ano passado, marcou o esfriamento das relações entre os dois países. Essa postura de Teerã é uma resposta, de acordo com o cientista político e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP Samuel Feldberg, à nova posição brasileira. "É um instrumento perfeitamente utilizável, para tentar gerar pressão dos exportadores brasileiros sobre o governo. Na verdade houve uma troca de prioridade na diplomacia. Enquanto Lula focou na parte econômica, Dilma mudou a diretriz para questões no sentido moral, como direitos humanos e a proliferação do programa nuclear iraniano", diz.

Outro fator que explica a queda nas exportações é a pressão dentro do governo iraniano para que se busque maior equilíbrio no comércio bilateral.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Nova sanção limitará o comércio iraniano

Fonte: Valor Econômico

Um dos mais importantes elos do Irã com o sistema financeiro mundial será cortado no sábado como parte da intensificação da campanha para pressionar os líderes iranianos a abandonar o programa nuclear do país. Em resposta a uma decisão da União Europeia (UE), a Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (Swift, na sigla em inglês), que lida com os pagamentos dos principais bancos do mundo, anunciou que interromperá os serviços para instituições iranianas.

A medida, que afeta apenas os bancos iranianos já sob sanção, será publicada hoje no diário oficial da UE. Em comunicado, a Swift confirmou que foi instruída a desconectar os bancos iranianos até as 13h (de Brasília) de sábado. A Swift, com sede na Bélgica, é uma cooperativa de 10 mil bancos e organizações de 210 países que compõem um sistema de comunicação financeira e de compensação.
"Essa decisão da UE força a Swift a tomar uma medida", disse Lázaro Campos, executivo-chefe da Swift. "Desconectar os bancos é uma medida extraordinária e sem precedentes para a Swift. É resultado direto da ação internacional e multilateral para intensificar as sanções financeiras contra o Irã", acrescentou.

Para analistas, a decisão da Swift irá comprometer a capacidade do Irã de fazer e receber pagamentos, incluindo os das vendas de petróleo, que respondem por mais da metade das receitas do governo iraniano. No entanto, existem algumas alternativas para o país driblar a sanção. O Irã poderá trocar petróleo por ouro ou outras commodities. Poderá também ser ajudado pelos bancos centrais de países amigos.

Ocidente isola o sistema bancário iraniano

Fonte: O Globo

Plataforma de pagamentos internacionais cortará instituições financeiras de Teerã vetadas pela UE

Em mais uma etapa da estratégia do Ocidente para forçar o Irã a abandonar seu controverso programa nuclear, o maior sistema eletrônico mundial de pagamentos vai cortar a partir de amanhã os bancos de Teerã vetados pela União Europeia. A nova medida deve estrangular ainda mais a economia do país persa, que terá mais dificuldade para obter cartas de crédito ou realizar transferências internacionais de recursos.

A decisão do sistema Swift, sediado em Bruxelas, atende a uma ordem da União Europeia e à pressão feita pelos EUA. Em 2010, 19 bancos e 25 instituições afiliadas do Irã realizaram cerca de 2 milhões de pagamentos usando o sistema. Os números incluem bancos acusados pelos americanos de financiar atividade nuclear iraniana ou terrorismo, como Mellat, Post, Saderat e Sepah.

- Desconectar os bancos é um passo extraordinário e sem precedentes para o Swift. É um resultado direto da ação internacional e multilateral para intensificar as sanções financeiras contra o Irã - disse Lázaro Campos, presidente do sistema de pagamentos.

O governo de Barack Obama aplaudiu a mudança e disse que ela reflete o consenso da comunidade internacional de que o "aumento substancial da pressão" é necessário para convencer o Irã a tratar das preocupações sobre seu programa nuclear. Mas legisladores americanos pressionam por sanções ainda mais duras contra o país, alegando que o sistema Swift deveria erradicar todas as instituições financeiras de Teerã de sua rede, não apenas as que foram vetadas pelo Ocidente.

Para empresários, medida pode significar colapso

Desde o final do ano passado, o Irã tem gradualmente sido afastado do sistema bancário global. Graças ao uso de legislação contra a lavagem de dinheiro por Washington, negociar com o país se torna cada vez mais uma tarefa arriscada para os bancos, incluindo o financiamento do comércio.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Eventual ataque ao Irã teria amplo impacto na economia mundial

Fonte: Valor Econômico
"Ninguém anunciou uma guerra, minha jovem", disse o presidente dos EUA, Barack Obama, em Nova York em 2 de março, apontando o dedo para uma pessoa da plateia que criticou a possibilidade de uma ação militar contra o Irã. "Mas compreendemos sua opinião." O auditório aplaudiu e um sorriso atravessou o rosto do presidente.

É muito cedo para dizer quando, ou mesmo se, a prolongada disputa sobre o programa nuclear do Irã vai resultar num conflito armado. "Ainda há uma janela para uma solução diplomática", disse Obama antes de um encontro com o premiê de Israel, Benyamin Netanyahu, em 5 de março. Uma série de sanções econômicas ocidentais contra o governo iraniano, que incluem o embargo às exportações de petróleo para a União Europeia, aumentou a disposição dos governantes do país de "recomeçar as negociações sem precondições, coisa à qual eles não estavam receptivos no ano passado", diz Karim Sadjadpour, analista especializado em Irã do Carnegie Endow-ment for International Peace. Uma guerra com o Irã em 2012 "é plausível, mas não provável", diz ele.

A justificativa econômica contra uma guerra é forte. O nervosismo com a instabilidade no Oriente Médio já elevou o preço do petróleo tipo Brent em cerca de 10% desde o começo do ano. Até um conflito limitado com o Irã - o segundo maior produtor de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), atrás só da Arábia Saudita - elevaria o prêmio de seguro sobre o tráfego de navios petroleiros pelo golfo Pérsico.

O Irã exporta 2,5 milhões de barris de petróleo por dia, e a Opep carece de capacidade para compensar a provável perda de fornecimento iraniano na eventualidade de um ataque, segundo afirma Robert McNally, presidente do Rapidan Group, uma consultoria especializada no setor de energia.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Irã vai rever venda de petróleo a seis países europeus

Fonte: Agência Brasil
Autora: Roberta Lopes

O governo do Irã anunciou hoje (15) que vai rever a venda de petróleo a seis países da União Europeia por causa do embargo adotado pelo grupo ao petróleo iraniano. Alguns embaixadores foram chamados ao Ministério de Negócios Estrangeiros do Irã para ser comunicados da decisão.


Portugal, a Espanha, França, Grécia, Holanda e Itália podem ter as vendas revistas. O governo iraniano já tinha ameaçado suspender o fornecimento de petróleo a países europeus.


O governo iraniano alegou que o embargo europeu não vai afetar a economia porque há outros países que podem comprar esse petróleo. As vendas a países europeus correspondem a aproximadamente 18% das exportações de petróleo iraniano.


A União Europeia adotou várias sanções ao Irã, entre elas, o embargo à compra de petróleo, como forma de pressionar as autoridades iranianas a rever o programa nuclear, considerado pela comunidade internacional como de uso militar e não pacífico como dizem os iranianos.


* Com informações da Agência Lusa

Edição: Talita Cavalcante

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Risco de guerra no Irã causa temor em Davos

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Gideon Rachman

Uma das primeiras sessões do Fórum Econômico Mundial a ter as inscrições esgotadas leva o nome de "E se o Irã desenvolver armas nucleares?".

O risco de um conflito em decorrência do programa nuclear iraniano é debatido todos os anos em Davos, mas desta vez os especialistas e políticos reunidos parecem estar levando mais a sério a possibilidade de guerra.

Eles estarão ouvindo com atenção as palavras do vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, quando ele discursar hoje no Fórum.

Os motivos são muitos. Primeiro, acredita-se que o Irã tenha obtido progressos significativos em seu programa de armas nucleares. Especialistas em Irã temem que a tecnologia nuclear seja deslocada para silos subterrâneos protegidos, o que deixaria partes importantes do programa iraniano bem menos vulneráveis a bombardeios.

O governo israelense há muito é incisivo em suas exigências por ações para parar o Irã e deixou claro que considera a opção de um ataque militar unilateral.

Países do Golfo Pérsico e a Arábia Saudita, no entanto, também expressaram profundas preocupações aos líderes dos EUA e da Europa quanto ao progresso do programa nuclear iraniano. Uma autoridade ocidental descreve os sauditas como "obcecados" com a ameaça iraniana. Sauditas teriam comunicado a seus interlocutores ocidentais que, se o Irã adquirisse capacidade de produzir armamentos nucleares, a Arábia Saudita responderia de imediato também tentando juntar-se ao clube nuclear.

A continuidade da turbulência no mundo árabe também aumenta as tensões, pois altera o equilíbrio de poder no Oriente Médio. O mundo árabe sunita teme que a influência iraniana esteja crescendo no Iraque, após a retirada das tropas dos EUA.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Austrália impõe sanções ao Irã

Fonte: Correio Braziliense
A Austrália avisou que vai impor um embargo petroleiro contra o Irã, seguindo o exemplo da União Europeia (UE). A decisão foi anunciada ontem, em Londres, pelo ministro australiano das Relações Exteriores, Kevin Rudd. "Não apenas aprovamos a ação tomada em Bruxelas para a Europa. Nós, é claro, vamos fazer o mesmo para a Austrália", declarou Rudd, durante uma entrevista coletiva com seu homólogo britânico, William Hague. "A razão é muito clara. É preciso enviar uma mensagem ao povo do Irã, às elites políticas do Irã e ao governo do Irã de que sua conduta é globalmente inaceitável", acrescentou o ministro, depois de se reunir com Hague.

Na segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores da UE impuseram um embargo petroleiro sem precedentes às importações de petróleo iraniano, que entrará em vigor a partir de 1º de julho. O objetivo das sanções é forçar o país persa a retomar as negociações sobre o programa nuclear. Pelo acordo, as nações europeias estão proibidas de estabelecer contratos no setor petroleiro com Teerã, segundo produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) depois da Arábia Saudita.

Os Estados Unidos comemoraram a decisão e prometeram ontem "mais sanções, para aumentar a pressão sobre o Irã". A resposta do regime teocrático islâmico veio ontem na forma de ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz, pelo segundo dia consecutivo. A retaliação impediria o escoamento do petróleo do Oriente Médio para o Ocidente. "As sanções ineficazes contra o Estado islâmico não são um perigo para nós. Elas são oportunidades, e já têm trazido uma série de benefícios para o país", ironizou Heydar Moslehi, ministro da Inteligência do Irã, em entrevista à agência de notícias Irna. As autoridades iranianas alertam que um embargo apenas contribuirá para aumentar os preços do petróleo.


Egito suspende hoje estado de emergência

O Egito vai suspender hoje o estado de emergência em vigor há mais de 30 anos, salvo em caso de crimes violentos, declarou ontem o chefe da junta militar, o marechal Hussein Tantawi.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ahmadinejad planeja visita ao Brasil, mas não definiu ainda a data

Fonte: Agência Brasil
Autoras: Renata Giraldi e Roberta Lopes

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, planeja vir ao Brasil, mas ainda não estão definidas nem a data, nem a duração da visita, que será feita exclusivamente ao país, não se estendendo às nações vizinhas. A informação foi dada pelo embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, que está se despedindo da função e retornando a Teerã, capital iraniana, depois de três anos e meio em Brasília.
Segundo o embaixador, Ahmadinejad não visitou o Brasil na semana passada, quando passou por quatro países da América Latina – Venezuela, Nicarágua, Equador e Cuba – devido a problemas de agenda. “No futuro próximo, vocês ouvirão falar e terão notícias da visita do presidente Ahmadinejad ao Brasil”, disse Shaterzadeh.
As relações do Brasil com o Irã são excelentes, afirmou o diplomata, ressaltando que não houve alterações na política externa brasileira com a posse da presidenta Dilma Rousseff. “Observamos a política externa da presidenta Dilma como continuidade da política [do ex-presidente] de Lula. É natural que, em todo início de governo, ele esteja mais voltado para a parte interna. Não achamos que haja mudanças na relação entre Brasil e Irã.”

Europa aperta o cerco a Síria e Irã

Fonte: O Globo
Novas sanções incluem embargo de petróleo a Teerã e restrições a círculo de Assad

BRUXELAS. A próxima reunião dos ministros do Exterior da UniãoEuropeia está marcada para a próxima segunda-feira, mas a pauta já está defini-da, segundo declararam diplomatas europeus.

Serão anunciada s oficialmente novas sanções econômicas para pressionar os governos de Damasco e Teerã diante de um cenário de paralisia diplomática quanto à violência armada na Síria e ao desenvolvimento de um programa nuclear suspeito no Irã .No caso iraniano,asn ovas restrições incluiriam, além de um embargo ao petróleo, um acordo “em princípio” para o congelamento dos ativos do Banco Central do Irã.

Embora sequer oficiais, as ações europeias já desperta-ram as críticas da Rússia — a maior aliada de sírios e iranianos,que voltou a advertir contra qualquer tentativa de interferência militar ocidental nos dois países.Além de prometer que, ao lado da China, bloqueará qualquer ação contra ambos no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
—Nós não iremos apoia rnenhuma sanção. Encorajar movimentos antigoverno no Oriente Médio e no Norte da África pode causar uma grande guerra não só na região como em países bem longe daquelas fronteiras — afirmou o chan- celer russo, Sergei Lavrov, referindo-se à crise que se arrasta há dez meses na Síria.

Reino Unido reafirma opção por sanção ao Irã

Fonte: Valor Econômico
Autor:  Sergio Leo

O Irã só precisa apresentar uma proposta de negociações substanciais ("meaningful negotiations") sobre seu programa nuclear para atrair à mesa as potências ocidentais, mas nem isso impedirá eventuais sanções contra o país durante os esforços diplomáticos, avisou o secretário (ministro) do Exterior do Reino Unido, William Hague, após almoço de duas horas e meia com o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota. Irônico, Hague disse ser "sugestivo" que o Irã sempre apresente propostas de negociação às vésperas de encontros marcados para discutir sanções ao país.

"Não seremos detidos pela simples sugestão de que pode haver negociação", disse Hague, confirmando a reunião dos ministros de Relações Exteriores da União Europeia, na segunda-feira, para decidir um embargo ao petróleo iraniano. Patriota, ao lado, fez questão de expressar a posição brasileira contrária a sanções unilaterais não aprovadas na Organização das Nações Unidas. "Há grande ceticismo no Brasil sobre o efeito positivo que sanções, sobretudo as que afetam a população civil, possam ter numa situação como essa", disse o ministro brasileiro.

"Há ainda mais ceticismo em relação ao recurso à força antes que sejam esgotados todos os esforços", disse o Patriota, que reconheceu, porém, a incapacidade demonstrada pelo irã em eliminar dúvidas sobre o eventual uso bélico de seu programa nuclear.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Embargo japonês ao petróleo do Irã

Correio Braziliense
Autora: Carolina Vicentin
A pedido dos EUA, o país asiático aceita aumentar a pressão internacional sobre o regime persa


Honras militares O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, desembarcou ontem em Quito, na última parada da viagem pela América Latina. O líder islâmico foi recebido com honras militares na base aérea de Guayaquil, de onde partiu para reuniões privadas com o presidente Rafael Correa. Antes de chegar à capital equatoriana, ele passou pela Venezuela, pela Nicarágua e por Cuba. Na ilha, ele se encontrou com o ex-presidente Fidel Castro e com o atual mandatário, Raúl Castro. O iraniano reforçou os laços de amizade com os cubanos e obteve apoio para o uso pacífico da energia nuclear.

A diplomacia norte-americana atravessou o mundo e conseguiu apoio de um importante aliado na pressão internacional que busca exercer sobre o Irã. O Japão, terceiro maior comprador do petróleo iraniano, aceitou impor um embargo às importações provenientes da república islâmica. A sanção ainda não tem data para entrar em vigor, mas os japoneses já quebram a cabeça para encontrar fornecedores alternativos. Analistas ouvidos pelo Correio afirmam que o aumento das restrições pode levar o país dos aiatolás a um colapso financeiro, como desejam os Estados Unidos. Isso, no entanto, não impediria um eventual conflito no Golfo Pérsico, a quebra do mercado petroleiro e consequências severas para a economia global, especialmente para as nações do leste asiático.

O anúncio da decisão japonesa foi dado após uma reunião do ministro das Finanças, Jun Azumi, com o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner. "O assunto nuclear é um problema que o mundo não pode ignorar. Por isso entendemos perfeitamente as ações empreendidas pelos Estados Unidos", disse Azumi. "Trabalhamos estreitamente com a Europa, o Japão e nossos aliados do mundo inteiro para incrementar consideravelmente a pressão contra o Irã", reforçou Geithner. O jornal Yomiuri Shimbun noticiou, no entanto, que os japoneses estariam tentando convencer os EUA a não levar as medidas restritivas para os bancos do país, que mantêm muitos negócios com as autoridades iranianas.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Brasil reduz em 73% o comércio com os iranianos durante o governo Dilma

Fonte: O Globo
Autora: Eliane Oliveira
Ao contrário de Lula, presidente criticou e afastou-se politicamente de Ahmadinejad
BRASÍLIA. O esfriamento das relações entre Brasil e Irã - que ficou ainda mais evidente com a exclusão do país na visita que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, começou ontem à América Latina - já tem reflexo direto no comércio bilateral. De janeiro a novembro do ano passado, as importações de produtos persas caíram quase 73% frente ao mesmo período de 2010 devido, principalmente, ao embargo econômico promovido pelas potências ocidentais.

Dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) mostram que, nos últimos meses, o Brasil comprou menos tapetes, produtos químicos, pedras preciosas, pistache, uvas secas, suco de alcaçuz, óleos e farois para automóveis. As importações despencaram de US$121,4 bilhões para US$32,9 bilhões em 2011.

Em uma avaliação reservada, o governo tem sido informado que os empresários brasileiros temem retaliações de parceiros internacionais, caso furem o bloqueio. Essa situação foi confirmada pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.