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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Cresce pressão por acordo entre Grécia e credores

Fonte: O Estado de S. Paulo
Demora na assinatura do tratado que cortará cerca de 60% da dívida grega é vista com impaciência em Bruxelas e Washington


A demora para a assinatura do acordo para o corte de cerca de 60% das dívidas soberanas da Grécia provocou ontem insatisfação na União Europeia e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Credores privados e o governo de Lucas Papademos discutem há semanas, mas ainda não encontraram a saída do impasse sobre a troca de obrigações que pode vir a representar o corte (haircut, na palavra em inglês) de até € 200 bilhões em dívidas.

Pela manhã, ministros de Finanças da zona do euro pressionaram Atenas para que implemente as reformas fiscais no país. À noite, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, exortou os bancos a assumirem as suas perdas. A preocupação é de que as conversas entre credores e o governo terminem em fracasso, apesar das manifestações de otimismo de Papademos e do presidente do Instituto Internacional de Finanças (IIF), Charles Dallara, representante do sistema financeiro.

Ontem, ao término da reunião do Eurogrupo, fórum de ministros da zona do euro, o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos, voltou a garantir que o país busca um acordo, mas não aceita pagar juros superior a 4% por ano pelas novas obrigações, que substituirão as atuais.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

‘Plano B’ da Grécia envolve uso de cláusula coletiva e calote forçado

Fonte: Estadão
Autora: Daniela Milanese

Se os envolvidos não chegarem a um acordo sobre a renegociação da dívida, a Grécia tem outra opção bem menos palatável: acionar as cláusulas de ação coletiva (CACs), impondo a reestruturação da dívida mesmo sem a anuência dos credores. Até o Banco Central Europeu entraria no barco, o que não está previsto no plano atual - os 50 bilhões de euros em dívidas gregas detidos pelo BCE devem ficar de fora da reestruturação.

O uso das cláusulas de ação coletiva também se configuraria um calote formal e dispararia os contratos de swaps de default de crédito (CDS), com implicações negativas e difíceis de projetar para os mercados, segundo analistas consultados pela Agência Estado.

"É possível que os credores sejam forçados a participar, mas aí entraríamos em um território nunca antes navegado porque o BCE também seria afetado", disse Thomas Costerg, economista para a Europa do Standard Chartered Bank. "Seria um processo compulsório e agressivo aos investidores. Os mercados reagiriam muito mal e Portugal e Irlanda seriam os primeiros a sentirem os efeitos", disse Achilleas Georgolopoulos, estrategista de dívida do Lloyds Bank.

O terceiro cenário seria ainda pior: a Grécia poderia simplesmente deixar de pagar o vencimento do dia 20 de março, de 14,4 bilhões de euros, num default desordenado. Nesse caso, haveria uma onda global de aversão ao risco, com rápido efeito dominó sobre os mercados.