Fonte: Estadão
Autora: Daniela Milanese
Se os envolvidos não chegarem a um acordo sobre a renegociação da dívida, a Grécia tem outra opção bem menos palatável: acionar as cláusulas de ação coletiva (CACs), impondo a reestruturação da dívida mesmo sem a anuência dos credores. Até o Banco Central Europeu entraria no barco, o que não está previsto no plano atual - os 50 bilhões de euros em dívidas gregas detidos pelo BCE devem ficar de fora da reestruturação.
O uso das cláusulas de ação coletiva também se configuraria um calote formal e dispararia os contratos de swaps de default de crédito (CDS), com implicações negativas e difíceis de projetar para os mercados, segundo analistas consultados pela Agência Estado.
"É possível que os credores sejam forçados a participar, mas aí entraríamos em um território nunca antes navegado porque o BCE também seria afetado", disse Thomas Costerg, economista para a Europa do Standard Chartered Bank. "Seria um processo compulsório e agressivo aos investidores. Os mercados reagiriam muito mal e Portugal e Irlanda seriam os primeiros a sentirem os efeitos", disse Achilleas Georgolopoulos, estrategista de dívida do Lloyds Bank.
O terceiro cenário seria ainda pior: a Grécia poderia simplesmente deixar de pagar o vencimento do dia 20 de março, de 14,4 bilhões de euros, num default desordenado. Nesse caso, haveria uma onda global de aversão ao risco, com rápido efeito dominó sobre os mercados.