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segunda-feira, 26 de março de 2012

ENTREVISTA-FAO diz que preços da soja e do milho seguirão firmes

Fonte: Agência Estado
Reuters

 Os preços mundiais de grãos seguirão "muito firmes" pelo menos até o final de abril por conta do golpe sofrido pela seca nas culturas da América do Sul e pela forte demanda na Ásia, disse nesta segunda-feira um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU).
 
A seca afetou os campos com milho e soja na América do Sul no início desta temporada, reduzindo a oferta em um período de demanda asiática maior que o esperado.


A classe média emergente da China adquiriu um gosto para carne bovina, que ficou forte apesar da desaceleração econômica do país. Bifes e outras carnes exigem milho e farelo de soja para produção.


"No curto prazo, neste mês e no próximo, vamos continuar a ver os preços muito fortes. O que acontecerá a seguir vai depender do desenvolvimento das culturas e do clima", afirmou Abdolreza Abbassian, economista sênior da FAO, braço da ONU para agricultura e alimentos, em entrevista por telefone à Reuters.


"Há alguns meses estávamos esperando um crescimento mais lento da demanda", acrescentou ele. "Fatores macroeconômicos estavam nos fazendo acreditar que a demanda por uso de ração, por exemplo, cresceria em um ritmo mais lento. Mas eu acho que nós sempre subestimamos o crescimento em países emergentes, na Ásia em particular."


Os preços globais dos alimentos estavam em alta de 1 por cento em fevereiro ante o mês anterior, levado pelos ganhos nos cereais, óleos vegetais e açúcar, mas ainda cerca de 10 por cento abaixo da máxima recorde atingida em fevereiro de 2011, mostrou o índice de alimentos da ONU.

"A demanda está definitivamente crescendo mais rápido do que esperávamos, enquanto a oferta acabou sendo menor do que o esperado", disse Abbassian. "Você coloca essas duas coisas juntas e isso explica o que está acontecendo hoje com os preços globalmente."

Os preços dos alimentos atingiram máximas recordes em fevereiro de 2011, estimulando as agitações relacionadas à Primavera Árabe. Os preços caíram deste então, mas a melhora nos primeiros dois meses de 2011 tem elevado os temores de inflação.

"O fato de o preço de certas culturas estar se aproximando do pico do ano passado diz alguma coisa sobre a direção e o sentimento do mercado", disse Abbassian, de seu escritório em Roma, três dias antes da reunião regional da FAO América Latina, que acontecerá em Buenos Aires.

A ONU esperava que os preços da soja começassem a cair neste ponto do ano, enquanto a Argentina, maior exportador mundial de farelo e óleo de soja, começa sua colheita 2011/12. Porém após a seca de dezembro-janeiro, que afetou muitos campos do país, o mercado continua preocupado com o clima.

Condições de tempo seco estão gerando temores na Europa, África do Norte e Oriente Médio.

"A imprevisibilidade nos preços está aumentando", disse Abbassian. "Se os chineses sentem que os preços do milho ainda podem subir, eles podem nos surpreender e comprar mais, o que faria os preços subirem. Considerando a agitação no mercado, isso pode levar a compras de pânico."

"Se tivessemos tido essa conversa há algumas semanas eu não teria nem considerado isso como estando nas cartas", acrescentou ele. "Os eventos das últimas semanas e o rebaixamento das estimativas de safra na América do Sul e Argentina em particular, estimularam a tendência de alta dos preços."

O governo da Argentina espera uma safra de milho de 21,2 milhões de toneladas nesta temporada, enquanto a colheita de soja 2011/12 foi estimada em 44 milhões de toneladas. As projeções iniciais haviam previsto o milho em 30 milhões de toneladas e a soja em 53 milhões de toneladas.
(Reportagem adicional de Svetlana Kovalyova em Milão)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Arábia Saudita diz que preços do petróleo são "injustificados"

Fonte: Valor Econômico

A Arábia Saudita pode elevar sua produção em até 25% imediatamente caso seja necessário. A informação foi dada ontem pelo ministro do Petróleo do país, Ali al-Naimi, em Doha, no Catar.

Al-Naimi disse que os atuais preços da commodity são "injustificados" e descartou a possibilidade de o estreito de Hormuz, principal rota para o transporte de petróleo no mundo, ser fechado. Anteriormente, autoridades do Irã chegaram a ameaçar interromper a rota, por causa das sanções internacionais contra o país. "Se vocês acreditam que Hormuz será fechado, eu venderei a vocês o Empire State ou as pirâmides do Egito", disse al-Naimi. "Eu quero garantir a vocês que não há falta de abastecimento no mercado. A Opep está suprindo o necessário e temos reservas adicionais."

Em novembro, a Arábia Saudita elevou sua produção para 10 milhões de barris ao dia, o maior volume em pelo menos três décadas. O país, maior exportador de petróleo mundial, tem capacidade para produzir 12,5 milhões de barris ao dia e deve produzir por volta de 9,9 milhões de barris ao dia neste mês e em abril, segundo o ministro.

Até 1 milhão de barris ao dia do Irã podem ser perdidos por conta do embargo imposto por Estados Unidos e União Europeia, afirmou a Agência Internacional de Energia em relatório na semana passada.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A UNCTAD recomenda mais transparência e regulamentação do mercado de commodities

No último domingo (05/06/2011), a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) publicou um estudo denominado “Price Formation in Financialized Commodity Markets: The Role of Information”.

De acordo com este documento, a “financeirização” dos mercados de commodities, por meio das especulações financeiras, distorcem os preços do produto, ocasionando as chamadas "bolhas de preço", pois não se observa as regras de mercado da oferta e da procura. Segundo o estudo, a financeirização deste mercado é um dos grandes responsáveis pela atual tendência de aumento da volatilidade nos preços, bem como a alta dos preços das commodities. Todo este cenário poderá gerar grandes danos a economia mundial, prejudicando, principalmente, os países menos desenvolvidos.

Diante destes fatos, a UNCTAD recomenda várias medidas para evitar ou atenuar os efeitos negativos da financeirização das commodities, tais como: mais transparência deste mercado, por meio da melhoria na qualidade de dados e acesso à informação, de modo a reduzir as incertezas do investidor; regulamentação mais rigorosa dos agentes financeiros; e intervenção direta das autoridades sobre o mercado para “esvaziar bolhas de preços”.

Concordo que é necessário dar maior transparência e regulamentar o mercado de commodities, entretanto há que se aprofundar mais no assunto, de modo a compreender todos os fatores envolvidos, estabelecer uma regulamentação bem fundamentada. O Brasil é um grande exportador de commodities e tem que ficar atento para estas discussões que se fazem em âmbito da UNCTAD e outras organizações internacionais.